{"id":7497,"date":"2024-08-01T11:47:49","date_gmt":"2024-08-01T14:47:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=7497"},"modified":"2024-08-01T11:47:49","modified_gmt":"2024-08-01T14:47:49","slug":"mais-de-100-trabalhadores-sofrem-com-perda-de-audicao-por-ano-no-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/mais-de-100-trabalhadores-sofrem-com-perda-de-audicao-por-ano-no-df\/","title":{"rendered":"Mais de 100 trabalhadores sofrem com perda de audi\u00e7\u00e3o por ano no DF"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"Text__TextBase-sc-1d75gww-0 cUGlZd noticiaCabecalho__subtitulo\"><em>Casos de perda auditiva induzida por ru\u00eddo t\u00eam crescido. Cirurgi\u00e3o-dentista, pedreiro e agente de tr\u00e2nsito s\u00e3o as profiss\u00f5es mais afetadas<\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, passou de 100 o n\u00famero de pacientes que tiveram diagn\u00f3stico de perda de audi\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho no Distrito Federal. Os dados da Secretaria de Sa\u00fade (SES-DF) mostram um aumento das ocorr\u00eancias de 2019 at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano passado, o DF teve 118 casos da chamada perda auditiva induzida por ru\u00eddo (Pair). Em 2022, foram 131 pacientes acometidos pelo problema devido ao ambiente onde trabalham. A crescente vem desde 2021, quando a Secretaria de Sa\u00fade contabilizou 87 ocorr\u00eancias. Em 2020, os n\u00fameros chegaram a apresentar queda, mas o decl\u00ednio ocorreu por conta da pandemia de covid-19, avalia a pasta.<\/p>\n<p>De 2019 at\u00e9 2023 deste ano, foram 413 casos de Pair registrados no DF. A maioria dos pacientes s\u00e3o cirurgi\u00f5es-dentistas (31 casos), pedreiros (30) e agentes de tr\u00e2nsito (29). Os dados s\u00e3o referentes a perdas parciais, de acordo com a SES-DF.<\/p>\n<p>O conceito de perda auditiva induzida por ru\u00eddo (Pair) \u00e9 referente \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o gradual da sensibilidade auditiva. Essa redu\u00e7\u00e3o ocorre devido a uma exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua a um ru\u00eddo, como o de m\u00e1quinas, por exemplo, que ultrapassa uma intensidade de 85 decib\u00e9is.<\/p>\n<p>Essa perda \u00e9 sempre neurossensorial, e geralmente ocorre nos dois ouvidos. \u00c9 irrevers\u00edvel, mas, caso o trabalhador deixe de ser exposto ao ru\u00eddo, o problema torna-se pass\u00edvel de n\u00e3o progress\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme a Norma Regulamentadora 15 (NR 15), o trabalhador poder\u00e1 ficar exposto at\u00e9 oito horas por dia a ru\u00eddos de intensidade de 85 decib\u00e9is. Acima dos 85 decib\u00e9is, o turno do trabalhador dever\u00e1 ser reduzido pela metade, a cada acr\u00e9scimo de cinco decib\u00e9is. Por exemplo, se o ru\u00eddo de intensidade for de 90 decib\u00e9is, o trabalhador poder\u00e1 ficar exposto ao ru\u00eddo apenas quatro horas.<\/p>\n<p><strong>Causas do problema e a import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Para o fonoaudi\u00f3logo Guaraci Lima Jr., s\u00e3o v\u00e1rios os fatores que podem induzir \u00e0 alta de casos de perda auditiva induzida por ru\u00eddo no DF. \u201cO ambiente da constru\u00e7\u00e3o civil, por exemplo, \u00e9 muito barulhento. O ru\u00eddo pode nem estar perto do trabalhador, mas a intensidade \u00e9 t\u00e3o grande que acaba por atingi-lo\u201d, explica o profissional. \u201cEsses trabalhadores deveriam utilizar , mas muitos deles n\u00e3o usam. \u00c0s vezes, o EPI at\u00e9 est\u00e1 dispon\u00edvel para o funcion\u00e1rio, mas ele coloca quando chega um fiscal de obras e depois retira\u201d, comenta.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica Danusia Konraht acredita que, nos anos anteriores, houve subnotifica\u00e7\u00e3o de casos. \u201cO aumento possui rela\u00e7\u00e3o com a crescente de notifica\u00e7\u00f5es de Pair, decorrente de uma melhor investiga\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico por meio de exames admissionais, demissionais e peri\u00f3dicos. A alta tamb\u00e9m tem liga\u00e7\u00e3o com o n\u00famero de vagas de empregos em setores que exp\u00f5em o trabalhador a ru\u00eddos, como, por exemplo, constru\u00e7\u00e3o civil, campo e tr\u00e2nsito\u201d, aponta a especialista.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos s\u00e3o un\u00e2nimes ao ressaltar que o EPI \u00e9 indispens\u00e1vel para que o trabalhador n\u00e3o sofra com redu\u00e7\u00e3o na audi\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 uma perda que n\u00e3o tem cura, restando apenas o uso de aparelho auditivo. A alta exposi\u00e7\u00e3o a ru\u00eddos causa les\u00e3o nas c\u00e9lulas ciliadas da c\u00f3clea, que nos fazem escutar sons mais agudos. O agudo d\u00e1 o brilho das palavras e melhora a nossa compreens\u00e3o. Por isso, a pessoa que tem perda de audi\u00e7\u00e3o diz que escuta quando falam com ela, mas n\u00e3o consegue entender\u201d, afirma Guaraci Lima Jr.<\/p>\n<p>O otorrinolaringologista Jairo de Barros Filho complementa. \u201cO principal cuidado que o trabalhador deve ter para se proteger \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o correta do equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual, seja um fone de ouvido, um silicone, alguma coisa para impedir o ru\u00eddo. Muitas vezes, o trabalhador sente algum inc\u00f4modo com o EPI e n\u00e3o quer usar\u201d, revela Filho.<\/p>\n<p><strong>Deveres das empresas<\/strong><\/p>\n<p>O empregador tem o dever de proteger o funcion\u00e1rio e a responsabilidade de garantir que ele est\u00e1 fazendo sua parte. \u201cO empregador n\u00e3o tem que apenas fornecer o EPI, mas tamb\u00e9m se certificar de que seu trabalhador usa. \u00c9 muito importante uma inspe\u00e7\u00e3o, ter algu\u00e9m para, de vez em quando, em hor\u00e1rios diferentes do dia, passar no local de trabalho para checar se todos est\u00e3o usando corretamente o equipamento\u201d, frisa o otorrinolaringologista Jairo de Barros Filho.<\/p>\n<p>Para a m\u00e9dica Danusia Konraht, \u00e9 necess\u00e1rio ainda \u201corientar o tempo limite de exposi\u00e7\u00e3o ao ru\u00eddo, realizar a manuten\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica dos equipamentos que produzam esse barulho e fornecer um espa\u00e7o com isolamento ac\u00fastico para o repouso programado do funcion\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 tive perda. O que devo fazer?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nComo dito anteriormente, a preven\u00e7\u00e3o deve vir antes do tratamento, uma vez que a perda \u00e9 irrevers\u00edvel. Mas os especialistas relembram que a perda pode ser interrompida se o diagn\u00f3stico for feito a tempo. \u201cA primeira coisa que o trabalhador tem que fazer \u00e9 parar de se expor a ru\u00eddos intensos usando o EPI adequadamente. Al\u00e9m disso, \u00e9 recomend\u00e1vel que o funcion\u00e1rio busque um otorrino para uma audiometria, onde ser\u00e1 avaliada a necessidade do uso de um aparelho auditivo\u201d, conta o otorrinolaringologista.<\/p>\n<p><strong>O que diz a SES-DF?<\/strong><\/p>\n<p>A Secretaria de Sa\u00fade do DF alega que houve alta de casos nos \u00faltimos anos porque, segundo a pasta, tem ocorrido um est\u00edmulo para que os casos sejam cada vez mais notificados \u00e0s autoridades. \u201cO aumento se deve a a\u00e7\u00f5es pontuais, espec\u00edficas do Centro de Refer\u00eancia em Sa\u00fade do Trabalhador (Cerest), de vigil\u00e2ncia e est\u00edmulo \u00e0 notifica\u00e7\u00e3o e permanente capacita\u00e7\u00e3o dos profissionais envolvidos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A pasta informa ainda que tem desenvolvido a\u00e7\u00f5es voltadas para identificar as \u00e1reas de risco para audi\u00e7\u00e3o em trabalhadores das usinas de reciclagem do DF. Essas iniciativas envolvem estudantes de fonoaudiologia em universidades da capital n\u00e3o especificadas. Juntos, a SES e as institui\u00e7\u00f5es estariam realizando \u201ccampanhas educativas quanto \u00e0 import\u00e2ncia do monitoramento das fontes de ru\u00eddo com intensidade acima do limite de toler\u00e2ncia, uso do EPI, import\u00e2ncia de pausas auditivas entre as jornadas, mudan\u00e7a de escala e rotatividade nos casos de exposi\u00e7\u00e3o a ambientes com ru\u00eddos com intensidade acima do limite de toler\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da reportagem, a gerente do Centro de Refer\u00eancia em Sa\u00fade do Trabalhador (Cerest), da SES-DF, Juliana Moura, solicitou espa\u00e7o para destacar que o empregador tem de ser o maior respons\u00e1vel pela preven\u00e7\u00e3o do empregado. \u201cA primeira coisa que tem que se fazer onde existe risco para o trabalhador \u00e9 eliminar o risco. N\u00e3o sendo poss\u00edvel elimin\u00e1-lo, \u00e9 preciso substitui-lo por um problema menor\u201d, disse.<\/p>\n<p>Juliana baseia-se na hierarquia de controle de riscos de acidentes de trabalho para explicar ainda que, n\u00e3o sendo poss\u00edvel eliminar ou substituir o risco, \u00e9 necess\u00e1rio isolar o funcion\u00e1rio ou mudar o m\u00e9todo de trabalho. Somente ap\u00f3s essas quatro op\u00e7\u00f5es, vem o EPI, na vis\u00e3o da gerente do Cerest-DF. \u201cAinda assim, o EPI vai reduzir de 15% a 20% do ru\u00eddo. Ainda que o trabalhador use durante todo o turno, ele ainda corre risco\u201d, frisa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/distrito-federal\/mais-de-100-trabalhadores-sofrem-com-perda-de-audicao-por-ano-no-df\">Clique aqui<\/a> para acessar a mat\u00e9ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casos de perda auditiva induzida por ru\u00eddo t\u00eam crescido. 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