{"id":6881,"date":"2022-08-23T09:04:23","date_gmt":"2022-08-23T12:04:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=6881"},"modified":"2022-08-23T09:04:23","modified_gmt":"2022-08-23T12:04:23","slug":"fake-news-sobre-uso-do-fluor-colocam-em-risco-saude-bucal-de-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/fake-news-sobre-uso-do-fluor-colocam-em-risco-saude-bucal-de-brasileiros\/","title":{"rendered":"Fake news sobre uso do fl\u00faor colocam em risco sa\u00fade bucal de brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>\u201cJustificativas para adi\u00e7\u00e3o do fl\u00faor na \u00e1gua s\u00e3o v\u00e1lidas; \u00e9 o m\u00e9todo de menor custo per capita\u201d. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor Wilson Mestriner, da Faculdade de Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto (Forp) da USP, contra o movimento antifluoreta\u00e7\u00e3o das \u00e1guas de abastecimento p\u00fablico que tem ganhado for\u00e7a no Pa\u00eds. O movimento espalha fake news e preocupa autoridades sanit\u00e1rias, principalmente, pela preval\u00eancia de doen\u00e7as bucais relacionadas \u00e0 desigualdade social.<br \/>\nWilson Mestriner \u2013 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Fapesp<br \/>\nSegundo Mestriner, \u201cgra\u00e7as \u00e0 fluoreta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua de abastecimento p\u00fablico, n\u00f3s temos a redu\u00e7\u00e3o do \u00edndice de c\u00e1ries\u201d, fato que s\u00f3 \u00e9 \u201cobservado atrav\u00e9s do censo nacional, dos levantamentos epidemiol\u00f3gicos para avaliar a condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade bucal da popula\u00e7\u00e3o brasileira\u201d. E a desigualdade social, persistente no Pa\u00eds, justifica a conduta de adicionar fl\u00faor \u00e0 \u00e1gua da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 que, apesar das conquistas das \u00faltimas d\u00e9cadas, a quantidade de desdentados no Pa\u00eds ainda \u00e9 grande, como mostra a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<br \/>\nA condi\u00e7\u00e3o brasileira faz com que, baseados na ci\u00eancia, especialistas da USP defendam os benef\u00edcios da lei federal (lei 6.050 de 24 de maio de 1974), enquanto as fake news engrossam o movimento antifluoreta\u00e7\u00e3o no Brasil. Em publica\u00e7\u00e3o recente, pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, analisaram conte\u00fados de 297 sites e redes sociais e identificaram mais de 300 publica\u00e7\u00f5es falsas na \u00e1rea de odontologia com impactos na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nThiago Cruvinel \u2013 Foto: Curr\u00edculo Lattes<br \/>\nO movimento \u00e9 contra a utiliza\u00e7\u00e3o do \u00edon fl\u00faor na \u00e1gua de consumo di\u00e1rio e tamb\u00e9m nos produtos odontol\u00f3gicos para preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a dent\u00e1ria c\u00e1rie. Iniciado nos Estados Unidos, o movimento ganha for\u00e7a no Brasil atrav\u00e9s do compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es falsas pela internet e m\u00eddias sociais.<br \/>\nUtilizam \u201cargumentos verdadeiros, como a possibilidade de neurotoxicidade do fl\u00faor, entretanto de forma descontextualizada, ent\u00e3o n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a concentra\u00e7\u00e3o do fl\u00faor e que \u00e9 utilizada em \u00e1guas de abastecimento ou em produtos odontol\u00f3gicos\u201d, comenta o professor Thiago Cruvinel, l\u00edder da equipe da FOB.<br \/>\nDe adeptos naturalistas a profissionais da odontologia<br \/>\nOs resultados do estudo da FOB indicam que a chegada desse movimento no Brasil ocorre atrav\u00e9s de pessoas com conhecimento da l\u00edngua inglesa que consomem esses conte\u00fados provenientes dos Estados Unidos. Esses indiv\u00edduos, segundo Cruvinel, disseminam atrav\u00e9s de suas m\u00eddias sociais e na internet os conte\u00fados que incentivam outras pessoas a se tornarem antifluoretos.<br \/>\n\u201cO que n\u00f3s temos percebido nas nossas pesquisas \u00e9 que essas pessoas normalmente t\u00eam um estilo de vida ligado a h\u00e1bitos naturalistas, como, por exemplo, a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de produtos industrializados ou cosm\u00e9ticos que cont\u00eam produtos artificiais na sua composi\u00e7\u00e3o\u201d, destaca o professor sobre o perfil dos publicadores de fake news na odontologia. Como se trata de um comportamento de risco que parte de pessoas com pr\u00e1ticas adequadas de sa\u00fade, as falsas not\u00edcias se tornam \u201cum problema, porque a partir disso surgem outras formas de pensar a odontologia e outras formas de combater doen\u00e7as bucais que n\u00e3o s\u00e3o pautadas em evid\u00eancias cient\u00edficas\u201d, analisa Cruvinel.<br \/>\nE as justificativas utilizadas pelas pessoas que participam desses movimentos s\u00e3o diversas. \u201cDentre elas, podemos observar justificativas relacionadas \u00e0 toxicidade do fl\u00faor e tamb\u00e9m baseando-se em teorias da conspira\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, uma pol\u00edtica adotada por Hitler durante o nazismo ou ainda uma pol\u00edtica que \u00e9 utilizada por governos para controlar as mentes das pessoas. Existem tamb\u00e9m teorias ligadas \u00e0 espiritualidade, como a calcifica\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula pineal, que levaria \u00e0 impossibilidade de conex\u00e3o com Deus, com o criador\u201d, diz o professor.<br \/>\nNem os profissionais da \u00e1rea de odontologia ficam de fora. \u201c\u00c9 importante salientar que esse movimento n\u00e3o ocorre somente entre leigos, existem tamb\u00e9m profissionais hoje que acreditam nessa quest\u00e3o da necessidade de n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o do fl\u00faor por sua toxicidade\u201d, conta Cruvinel, afirmando que se trata de adeptos de uma pseudoci\u00eancia chamada \u201codontologia biol\u00f3gica\u201d.<br \/>\nFluoreta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua<br \/>\nA adi\u00e7\u00e3o mundial do fl\u00faor na \u00e1gua de abastecimento p\u00fablico come\u00e7ou na primeira metade do s\u00e9culo 20, quando o dentista norte-americano Frederick McKay comprovou a atividade do \u00edon fl\u00faor, na concentra\u00e7\u00e3o ideal e segura, na preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a c\u00e1rie. No Brasil, estudos similares apareceram na segunda metade do s\u00e9culo 20. \u201cO primeiro estudo desenvolvido, um estudo tamb\u00e9m de car\u00e1ter epidemiol\u00f3gico, foi no Baixo Guandu, no Esp\u00edrito Santo, em 1953, atrav\u00e9s da concentra\u00e7\u00e3o regular do \u00edon fl\u00faor na \u00e1gua de abastecimento p\u00fablico. N\u00f3s conseguimos a redu\u00e7\u00e3o em torno de 60% da atividade da doen\u00e7a c\u00e1rie\u201d, conta Mestriner.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cJustificativas para adi\u00e7\u00e3o do fl\u00faor na \u00e1gua s\u00e3o v\u00e1lidas; \u00e9 o m\u00e9todo de menor custo per capita\u201d. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor Wilson Mestriner, da Faculdade de Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto (Forp) da USP, contra o movimento antifluoreta\u00e7\u00e3o das \u00e1guas de abastecimento p\u00fablico que tem ganhado for\u00e7a no Pa\u00eds. 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