{"id":6802,"date":"2022-06-27T14:13:24","date_gmt":"2022-06-27T17:13:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=6802"},"modified":"2022-06-27T14:13:24","modified_gmt":"2022-06-27T17:13:24","slug":"covid-longa-afeta-mais-as-mulheres-indica-estudo-com-pacientes-do-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/covid-longa-afeta-mais-as-mulheres-indica-estudo-com-pacientes-do-df\/","title":{"rendered":"Covid longa afeta mais as mulheres, indica estudo com pacientes do DF"},"content":{"rendered":"<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus produz um n\u00famero ainda incont\u00e1vel de outros tipos de v\u00edtimas: as que sofrem com sequelas permanentes ou transtornos provocados pela covid-19. Pesquisa in\u00e9dita no mundo revela que mulheres s\u00e3o mais afetadas pelas sequelas da infec\u00e7\u00e3o do que homens. Al\u00e9m disso, 91,2% das pessoas que contra\u00edram a doen\u00e7a apresentam perda de mem\u00f3ria e fadiga, enquanto 8,8% desenvolvem outras enfermidades.<br \/>\nO estudo Manifesta\u00e7\u00f5es neuropsicol\u00f3gicas de covid longa em pacientes brasileiros hospitalizados e n\u00e3o hospitalizados \u00e9 coordenado pela neurocientista L\u00facia Willadino Braga, presidente do Hospital Sarah Kubitschek, e foi elaborado com base no quadro de pacientes do Distrito Federal. Participaram da pesquisa 614 pessoas com algum tipo de problema decorrente da doen\u00e7a, mesmo ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o. Nesse grupo, 73% eram mulheres e 27%, homens.<br \/>\nEntre elas, todas relataram perda de mem\u00f3ria nos meses seguintes \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus. &#8220;O que assusta \u00e9 que voc\u00ea pega uma gripe e, uma semana depois, ela passa. Com a covid-19, voc\u00ea sai do quadro, mas fica com a mem\u00f3ria e toda a capacidade de planejamento muito atingida. E o planejamento est\u00e1 em absolutamente tudo na vida&#8221;, destaca L\u00facia Willadino.<br \/>\nA m\u00e9dia de idade dos pacientes que participaram do levantamento era de 47 anos. Mais da metade deles eram casados, com ensino superior completo e em atividade na carreira. O perfil, segundo a neurocientista, facilitou o diagn\u00f3stico. &#8220;Eram profissionais que, antes da covid-19, conseguiam fazer determinadas tarefas e, ap\u00f3s a doen\u00e7a, ao retornarem ao trabalho, encontraram dificuldades para realizar atividades de rotina&#8221;, comenta.<br \/>\nA pesquisa ser\u00e1 apresentada pela primeira vez nesta segunda-feira (27\/6), na reuni\u00e3o geral do N\u00facleo Bras\u00edlia do Grupo Mulheres do Brasil (GBM \u2014 leia Encontro no CCBB Bras\u00edlia). E, menos de um dia ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o na NeuroRehabilitation, uma das mais importantes publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do mundo, L\u00facia Braga recebeu convites para apresentar o estudo nos Estados Unidos e na Fran\u00e7a. Confira a \u00edntegra da entrevista concedida pela neurocientista ao Correio, no hospital Sarah Centro.<br \/>\nPor que a senhora decidiu fazer esse mergulho para entender as sequelas da covid-19?<br \/>\nNo primeiro ano de pandemia, os pedidos de atendimento de pessoas que tiveram covid-19 passaram a representar 30% de toda a demanda por consultas na Rede Sarah. Mas n\u00e3o sab\u00edamos como tratar as pessoas. Para isso, precis\u00e1vamos descobrir quem eram esses pacientes, que tipo de problema neuropsiqui\u00e1trico e neuropsicol\u00f3gico eles tinham e se havia alguma rela\u00e7\u00e3o com a gravidade do quadro da covid-19.<br \/>\nO que se descobriu?<br \/>\nDos 614 pacientes que participaram da pesquisa, 73% eram mulheres, e isso n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com o fato de a mulher cuidar melhor da sa\u00fade e procurar mais atendimento m\u00e9dico. As mulheres foram mais afetadas pelos problemas neuropsicol\u00f3gicos e neuropsiqui\u00e1tricos. No dia a dia, elas tiveram capacidade de planejamento, mem\u00f3ria e flu\u00eancia verbal afetadas, al\u00e9m de depress\u00e3o e transtornos de humor.<br \/>\nElas s\u00e3o mais atingidas ou foram mais as mulheres que procuraram ajuda?<br \/>\nLevantamos essa hip\u00f3tese quando vimos esse predom\u00ednio das mulheres. A primeira coisa foi olhar para a estat\u00edstica geral, porque tem aquela coisa de que a mulher, de fato, procura mais a sa\u00fade preventiva do que o homem. Peguei as estat\u00edsticas de toda a Rede Sarah para ver qual \u00e9 o percentual de homens e mulheres que nos procuram. Normalmente, para as outras patologias, sabemos que atendemos, mais ou menos, 2 milh\u00f5es de pacientes por ano. Desse total, aproximadamente 51% s\u00e3o mulheres e 49%, homens. \u00c9 mais ou menos o que \u00e9 o Brasil. E, no p\u00f3s-covid, tivemos essa diferen\u00e7a maior de mulheres que nos procuraram com sequelas.<br \/>\nEm quanto tempo as sequelas ou os dist\u00farbios p\u00f3s-covid aparecem?<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a fase aguda, de um a dois meses depois. Essa doen\u00e7a afeta o corpo humano de forma multissist\u00eamica. Ela afeta o c\u00e9rebro, o racioc\u00ednio, o pensamento, a mem\u00f3ria, o afeto e o humor. Essas pessoas precisam de reabilita\u00e7\u00e3o, e percebemos uma melhora importante (do quadro) ap\u00f3s um ano de covid-19.<br \/>\nHouve rela\u00e7\u00e3o entre as sequelas e a gravidade do quadro de covid-19?<br \/>\nDescobrimos que elas n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a gravidade da infec\u00e7\u00e3o por covid-19. Elas aparecem em pacientes com sintomas leves, em quem precisou ficar na enfermaria, na UTI (unidade de terapia intensiva) e em quem foi intubado. De todas as pessoas que participaram do estudo, apenas um ter\u00e7o foi hospitalizado. Ent\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea que a hospitaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve liga\u00e7\u00e3o direta. Os n\u00e3o hospitalizados foram 408; internados em enfermaria, 100; e quem precisou de UTI, 41.<br \/>\nCom o conhecimento que se tem hoje, \u00e9 poss\u00edvel afirmar se essas sequelas s\u00e3o tempor\u00e1rias ou perenes?<br \/>\nAinda \u00e9 cedo para avaliar se ser\u00e3o perenes.<br \/>\nA senhora falou sobre comprometimento do afeto. Como \u00e9 isso na pr\u00e1tica?<br \/>\nA pessoa perde ou fica com a capacidade de demonstrar afeto comprometida. Em um dos testes, voc\u00ea pede para a pessoa dizer a mesma frase demonstrando anima\u00e7\u00e3o e tristeza. Por exemplo: &#8220;O time tal perdeu o campeonato&#8221;. Quando o paciente executa o pedido, n\u00e3o consegue expressar esses sentimentos na voz, por exemplo. A demonstra\u00e7\u00e3o de afeto ficou entre os que tiveram os piores escores, junto a perda da mem\u00f3ria.<br \/>\nComo \u00e9 o processo de reabilita\u00e7\u00e3o desses pacientes?<br \/>\nA avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 individual e o trabalho, em grupo. As sequelas assustam muito. A psic\u00f3loga d\u00e1 dicas sobre o que fazer para melhorar a mem\u00f3ria e (sugere) exerc\u00edcios f\u00edsicos.<br \/>\nComo as pessoas chegam ao Sarah?<br \/>\nMuito angustiadas. Diferentemente de um paciente com quadro de dem\u00eancia, que, \u00e0s vezes, n\u00e3o percebe a doen\u00e7a, os pacientes p\u00f3s-covid-19 t\u00eam toda percep\u00e7\u00e3o de que est\u00e3o perdendo as capacidades f\u00edsicas e mentais. Recebemos uma professora que esqueceu o conte\u00fado para ministrar aula; uma m\u00e9dica que, na escuta do paciente, n\u00e3o conseguia reter as queixas para diagnosticar e prescrever (os rem\u00e9dios); um motorista que esqueceu como dirigir em Bras\u00edlia \u2014 e olha que, em Bras\u00edlia, o endere\u00e7amento \u00e9 por n\u00famero; tem uma l\u00f3gica. Ent\u00e3o, as pessoas precisam buscar ajuda o mais cedo poss\u00edvel. Fechou a fase aguda da infec\u00e7\u00e3o por covid-19, procure ajuda (leia Servi\u00e7o).<br \/>\nEncontro no CCBB Bras\u00edlia<br \/>\nNa pr\u00f3xima reuni\u00e3o do n\u00facleo brasiliense do GBM, L\u00facia Braga apresentar\u00e1 o estudo Problemas de mem\u00f3ria e aten\u00e7\u00e3o nas mulheres p\u00f3s-covid, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). A pesquisa, al\u00e9m de incluir os dados sobre o p\u00fablico feminino ser mais acometido pelas sequelas da doen\u00e7a, trata de enfermidades desconhecidas provocadas pela infec\u00e7\u00e3o, como defici\u00eancias na concentra\u00e7\u00e3o, na express\u00e3o de afeto e na flu\u00eancia verbal. O estudo apontou, ainda, que todos os 614 participantes tiveram algum grau de perda de mem\u00f3ria. O Grupo Mulheres do Brasil surgiu em 2013, criado por 40 integrantes de diferentes segmentos com o intuito de engajar a sociedade civil na conquista de melhorias para o pa\u00eds. Atualmente, a presidente do projeto \u00e9 a empres\u00e1ria Luiza Helena Trajano.<br \/>\nServi\u00e7o<br \/>\nA reabilita\u00e7\u00e3o de pacientes p\u00f3s-covid-19 na Rede Sarah \u00e9 gratuita e ocorre em todas as unidades do hospital no pa\u00eds. Para isso, basta acessar o site www.sarah.br e clicar no painel &#8220;Reabilita\u00e7\u00e3o p\u00f3s-covid-19&#8221;. Um banner com uma lista de sequelas e dist\u00farbios provocados pelo novo coronav\u00edrus aparecer\u00e1, com a seguinte orienta\u00e7\u00e3o: &#8220;Para solicitar um atendimento, clique aqui&#8221;. Os pr\u00f3ximos passos s\u00e3o intuitivos no site.<br \/>\nNo detalhe<br \/>\nCaracter\u00edsticas sociodemogr\u00e1ficas dos pacientes que participaram da pesquisa<\/p>\n<p>TOTAL: 614<br \/>\nMulheres: 541 (73%)<br \/>\nHomens: 163 (27%)<\/p>\n<p>IDADE<br \/>\n18-39 anos: 141 (23%)<br \/>\n40-59 anos: 383 (62%)<br \/>\n60 anos ou mais: 90 (15%)<\/p>\n<p>ESCOLARIDADE<br \/>\nEnsino b\u00e1sico: 31 (5%)<br \/>\nEnsino m\u00e9dio: 34 (6%)<br \/>\nEnsino superior: 216 (35%)<br \/>\nP\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o: 333 (54%)<\/p>\n<p>ESTADO CIVIL<br \/>\nCasado(a): 338 (55%)<br \/>\nDivorciado(a): 77 (13%)<br \/>\nSolteiro(a): 181 (29%)<br \/>\nVi\u00favo(a): 18 (3%)<\/p>\n<p>CONDI\u00c7\u00c3O SOCIAL<br \/>\nEconomicamente ativos: 457 (74%)<br \/>\nAposentados: 72 (12%)<br \/>\nDesempregados: 59 (10%)<br \/>\nAfastados por doen\u00e7a: 26 (4%)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus produz um n\u00famero ainda incont\u00e1vel de outros tipos de v\u00edtimas: as que sofrem com sequelas permanentes ou transtornos provocados pela covid-19. 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