{"id":6629,"date":"2022-05-23T16:25:14","date_gmt":"2022-05-23T19:25:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=6629"},"modified":"2022-05-23T16:25:14","modified_gmt":"2022-05-23T19:25:14","slug":"estudo-brasileiro-revela-mecanismo-de-alta-transmissao-do-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/estudo-brasileiro-revela-mecanismo-de-alta-transmissao-do-coronavirus\/","title":{"rendered":"Estudo brasileiro revela mecanismo de alta transmiss\u00e3o do coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa in\u00e9dita mostrou como algumas prote\u00ednas que formam a superf\u00edcie do coronav\u00edrus podem estar desempenhando um papel fundamental na capacidade elevada de replica\u00e7\u00e3o de algumas de suas variantes.<br \/>\nA principal prote\u00edna envolvida nessa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 a n\u00e3o-estrutural 6 (NSP6, na sigla em ingl\u00eas) que, quando sofre uma muta\u00e7\u00e3o, acaba criando uma liga\u00e7\u00e3o melhor entre estruturas envolvidas no processo de multiplica\u00e7\u00e3o do Sars-CoV-2 e da c\u00e9lula hospedeira. Outras envolvidas s\u00e3o a NSP3 e a NSP4.<br \/>\nEssa conex\u00e3o mais \u201crefinada\u201d entre o compartimento contendo o v\u00edrus dentro da c\u00e9lula e outros componentes celulares tamb\u00e9m atua impedindo a defesa natural do organismo contra o invasor, por isso ela garante maior sucesso replicativo.<br \/>\nEntre as variantes de preocupa\u00e7\u00e3o (VOCs, na sigla em ingl\u00eas) que carregam essa muta\u00e7\u00e3o est\u00e3o a alfa, gama (que surgiu em Manaus), lambda e a subvariante BA.2, da \u00f4micron, que j\u00e1 \u00e9 predominante no Brasil.<br \/>\nA descoberta foi divulgada em artigo na revista Nature, a mais prestigiosa do meio cient\u00edfico, no \u00faltimo dia 12. A pesquisa \u00e9 fruto de colabora\u00e7\u00e3o entre cientistas do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, no Rio de Janeiro, e do Instituto Telethon de Gen\u00e9tica e Medicina (Tigem), em N\u00e1poles, na It\u00e1lia.<br \/>\nPara investigar os mecanismos celulares envolvidos na multiplica\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus dentro do nosso organismo, os pesquisadores buscaram entender a rela\u00e7\u00e3o da NSP6 com estruturas presentes em todas as nossas c\u00e9lulas que acabam sendo sequestradas para o processo de s\u00edntese do Sars-CoV-2.<br \/>\nEntre elas est\u00e3o a ves\u00edcula replicativa de dupla membrana, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de bolsa em que o v\u00edrus vai fazer a s\u00edntese do seu material gen\u00e9tico na c\u00e9lula (protegido do meio externo celular), o ret\u00edculo endoplasm\u00e1tico, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 produzir diversas mol\u00e9culas como lip\u00eddios e prote\u00ednas essenciais para os processos celulares, e os corp\u00fasculos lip\u00eddicos, que s\u00e3o estruturas ricas em lip\u00eddios (gordura) no interior das c\u00e9lulas.<br \/>\nBasicamente, a NSP6 consegue atuar organizando e criando canais de comunica\u00e7\u00e3o mais eficientes entre a ves\u00edcula replicativa (onde est\u00e1 o genoma viral) e as duas outras estruturas.<br \/>\n\u201cO v\u00edrus, quando ele invade a c\u00e9lula, ele utiliza a maquinaria presente nas c\u00e9lulas hospedeiras para fazer o seu processo de replica\u00e7\u00e3o, e o coronav\u00edrus Sars-CoV-2, assim como outros v\u00edrus, faz esse processo em locais que s\u00e3o as ves\u00edculas de dupla membrana. Como essas ves\u00edculas precisam de componentes para se formar, \u00e9 a\u00ed que a comunica\u00e7\u00e3o fornecida pela NSP6 atua, organizando esse processo replicativo\u201d, explica Patr\u00edcia Bozza, chefe do Laborat\u00f3rio de Imunofarmacologia do Instituto Oswaldo Cruz e uma das autoras do estudo.<br \/>\nAl\u00e9m disso, a NSP6 consegue filtrar a passagem de lip\u00eddios do ret\u00edculo endoplasm\u00e1tico para o citoplasma, mas impede a passagem de prote\u00ednas que poderiam reconhecer o invasor e atac\u00e1-lo no interior celular.<br \/>\n\u201cEssa comunica\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 feita de uma forma que favorece a passagem de lip\u00eddios, necess\u00e1rios para as ves\u00edculas replicativas, mas restringindo algumas outras prote\u00ednas. Esse \u00e9 um dos mecanismos que podem atuar nessa maior replica\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<br \/>\nAinda de acordo com a pesquisadora, a dele\u00e7\u00e3o de uma parte final da NSP6 (mais especificamente tr\u00eas amino\u00e1cidos, que s\u00e3o as unidades que formam as prote\u00ednas), consegue oferecer um arranjo melhor, organizando as organelas replicativas em cachos compostos de 15 unidades. Sem essa dele\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de unidades por cachos ca\u00eda para tr\u00eas, al\u00e9m de ter um formato irregular.<br \/>\n\u201cA observa\u00e7\u00e3o que fizemos comparando as diferentes variantes que carregam essa muta\u00e7\u00e3o com a forma original de Wuhan \u00e9 que essa muta\u00e7\u00e3o surgiu de maneira independente nas linhagens e foi selecionada porque confere vantagem, ou ganho de fun\u00e7\u00e3o, para o v\u00edrus\u201d, afirma.<br \/>\nA pesquisa desenvolvida pelos cientistas \u00e9 chamada b\u00e1sica, ou seja, partiu de uma investiga\u00e7\u00e3o para entender o funcionamento de um determinado processo. Por\u00e9m, Bozza explica que conhecer tais alvos pode ajudar, no futuro, a desenvolver terapias mais eficazes contra o Sars-CoV-2.<br \/>\n\u201cO estudo buscou entender quais s\u00e3o os elementos importantes para o v\u00edrus se estabelecer e replicar na c\u00e9lula, mas isso tem uma relev\u00e2ncia tamb\u00e9m para entender quais os alvos que atuam na replica\u00e7\u00e3o tanto do ponto de vista do v\u00edrus quanto da c\u00e9lula hospedeira, podendo desenvolver antivirais que ajam nesses mecanismos\u201d, completa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa in\u00e9dita mostrou como algumas prote\u00ednas que formam a superf\u00edcie do coronav\u00edrus podem estar desempenhando um papel fundamental na capacidade elevada de replica\u00e7\u00e3o de algumas de suas variantes. A principal prote\u00edna envolvida nessa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 a n\u00e3o-estrutural 6 (NSP6, na sigla em ingl\u00eas) que, quando sofre uma muta\u00e7\u00e3o, acaba criando uma liga\u00e7\u00e3o melhor entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":6630,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-6629","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6629","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6629"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6629\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6631,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6629\/revisions\/6631"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6630"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6629"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6629"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6629"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}