{"id":6381,"date":"2022-03-21T20:12:18","date_gmt":"2022-03-21T23:12:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=6381"},"modified":"2022-03-21T20:12:18","modified_gmt":"2022-03-21T23:12:18","slug":"entenda-o-que-realmente-e-a-sindrome-de-burnout","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/entenda-o-que-realmente-e-a-sindrome-de-burnout\/","title":{"rendered":"Entenda o que realmente \u00e9 a s\u00edndrome de burnout"},"content":{"rendered":"<p>Herbert J. Freudenberger nasceu em 1926, em Frankfurt, Alemanha. Quando os nazistas ascenderam ao poder, em 1933, sua fam\u00edlia conseguiu envi\u00e1-lo aos Estados Unidos com um passaporte falso. Por um tempo , o garoto teve que se virar sozinho, nas ruas de Nova York, at\u00e9 encontrar abrigo na casa de um primo mais velho. Suas \u00f3timas notas na escola lhe garantiram uma vaga na Faculdade do Brooklyn, onde cursou psicologia.<br \/>\nA ascens\u00e3o de Freudenberger foi r\u00e1pida; depois de graduado, emendou um doutorado na Universidade de Nova York e logo come\u00e7ou a trabalhar na \u00e1rea.No final dos anos 1960, o psic\u00f3logo visitou a primeira free clinic (\u201ccl\u00ednica gr\u00e1tis\u201d) dos Estados Unidos, fundada em S\u00e3o Francisco, do outro lado do pa\u00eds. Esse tipo de consult\u00f3rio atende, gratuitamente, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, como moradores de rua e usu\u00e1rios de drogas pesadas.<br \/>\nFascinado pelo conceito, e relembrando a \u00e9poca em que ele mesmo dormia na rua, o psic\u00f3logo abriu sua pr\u00f3pria free clinic em Nova York, com foco em atender dependentes qu\u00edmicos. Freudenberger conciliava o trabalho volunt\u00e1rio com os atendimentos em seu consult\u00f3rio, que lhe tomavam 10 horas por dia. Mesmo assim, fazia a dupla jornada todas as noites, de segunda a sexta. N\u00e3o demorou para ficar claro que essa rotina n\u00e3o era nada saud\u00e1vel. \u201cVoc\u00ea se esfor\u00e7a muito no trabalho, voc\u00ea sente um total senso de compromisso\u2026 at\u00e9 que voc\u00ea finalmente se encontra, como eu, em um estado de completa exaust\u00e3o\u201d, escreveu o psic\u00f3logo. Os outros volunt\u00e1rios da cl\u00ednica apresentavam os mesmos problemas. Os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios procuravam Freudenberger com quadros de \u201cdepress\u00e3o, apatia e agita\u00e7\u00e3o\u201d. Quem era cuidador acabava virando paciente.Nos anos seguintes, Freudenberger se dedicou a estudar o fen\u00f4meno. Mas, antes de tudo, precisava de um nome para esse padr\u00e3o de sintomas. A solu\u00e7\u00e3o foi emprestar uma g\u00edria que era usada por seus pr\u00f3prpacientes para descrever a sensa\u00e7\u00e3o devastadora que o abuso de drogas deixa: \u201cburnout\u201d, do verbo to burn, \u201cqueimar\u201d. Em portugu\u00eas, significa \u201cesgotamento\u201d.  Assim como um f\u00f3sforo que queimou at\u00e9 o final, os dependentes qu\u00edmicos se sentiam exauridos, sem energia alguma, na ressaca dos narc\u00f3ticos. Como era mais ou menos assim que os profissionais exaustos se descreviam, o psic\u00f3logo importou a g\u00edria de rua para o meio acad\u00eamico.Freudenberger ent\u00e3o come\u00e7ou a procurar pelo que chamava de \u201cburnout ocupacional\u201d. E onde olhava, encontrava. M\u00e9dicos, enfermeiros, policiais, professores, bibliotec\u00e1rios \u2013 o burnout parecia absolutamente generalizado. \u201cPor que \u00e9 que n\u00f3s, como na\u00e7\u00e3o, parecemos, tanto coletiva quanto individualmente, estar no meio de um fen\u00f4meno que se espalha rapidamente o burnout?\u201d, escreveu ele em 1980.<\/p>\n<p>S\u00f3 tem um detalhe. H\u00e1 40 anos, o termo ainda era acad\u00eamico. E permaneceu assim por d\u00e9cadas.<br \/>\nFalava-se o tempo todo em \u201cestresse\u201d, mas n\u00e3o em algo t\u00e3o espec\u00edfico quanto o burnout, o esgotamento causado exclusivamente pelo trabalho. Hoje n\u00e3oO termo cunhado por ele est\u00e1 na ponta da l\u00edngua de todo mundo. Uma pesquisa da Deloitte descobriu que 77% dos trabalhadores americanos afirmam j\u00e1 ter passado por um quadro de burnout, considerando apenas o emprego atual. No come\u00e7o do ano, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade incluiu oficialmente a S\u00edndrome de Burnout na Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID-11), chamando aten\u00e7\u00e3o global para o tema.<br \/>\nSe em 1980 o inc\u00eandio parecia \u201cestar se espalhando\u201d, hoje, pelo jeito, j\u00e1 tomou a floresta inteira. Mesmo assim, a pergunta que Freudenberger fez sobre o porqu\u00ea do fen\u00f4meno segue sem respostas claras.Nos pr\u00f3ximos par\u00e1grafos, vamos examinar as melhores hip\u00f3teses. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Herbert J. Freudenberger nasceu em 1926, em Frankfurt, Alemanha. Quando os nazistas ascenderam ao poder, em 1933, sua fam\u00edlia conseguiu envi\u00e1-lo aos Estados Unidos com um passaporte falso. Por um tempo , o garoto teve que se virar sozinho, nas ruas de Nova York, at\u00e9 encontrar abrigo na casa de um primo mais velho. 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