{"id":6083,"date":"2022-02-21T10:40:30","date_gmt":"2022-02-21T13:40:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=6083"},"modified":"2022-02-21T10:40:30","modified_gmt":"2022-02-21T13:40:30","slug":"a-batalha-de-uma-pessoa-com-covid-nao-termina-com-a-recuperacao-diz-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/a-batalha-de-uma-pessoa-com-covid-nao-termina-com-a-recuperacao-diz-especialista\/","title":{"rendered":"A batalha de uma pessoa com covid n\u00e3o termina com a recupera\u00e7\u00e3o, diz especialista"},"content":{"rendered":"<p>Pouco mais de dois anos do in\u00edcio da pandemia, muito j\u00e1 se sabe sobre o v\u00edrus causador da covid e, embora as op\u00e7\u00f5es de tratamento espec\u00edficas para a doen\u00e7a ainda sejam poucas, n\u00e3o se pode mais dizer que o mundo est\u00e1 lidando com um inimigo desconhecido. Mas, como se trata de uma enfermidade recente, ainda restam muitas perguntas sobre os efeitos de longo prazo, uma s\u00e9rie de sintomas que podem afetar sistemas e \u00f3rg\u00e3os diversos, seja em adultos ou crian\u00e7as.<br \/>\nDesde o come\u00e7o, ficou claro que alguns pacientes apresentam sintomas prolongados de covid &#8211; sintomas cont\u00ednuos que est\u00e3o presentes muito tempo ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o inicial ter sido eliminada, e que podem ser muito debilitantes para a sa\u00fade e o bem-estar&#8221;, diz Deborah Dunn-Walters, presidente da for\u00e7a-tarefa covid-19 da Sociedade Brit\u00e2nica de Imunologia e professora da Universidade de Surrey, no Reino Unido. &#8220;O termo covid longa abrange uma ampla gama de condi\u00e7\u00f5es e, portanto, ainda n\u00e3o entendemos completamente todos os processos envolvidos&#8221;, reconhece.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 sequer certeza sobre o percentual de pacientes que desenvolver\u00e1 o problema. Enquanto alguns estudos estimaram em at\u00e9 12%, pesquisadores da Universidade da Pensilv\u00e2nia, nos EUA, apostam em uma propor\u00e7\u00e3o bem maior: 50%. Uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica de 57 artigos, com dados de 250.351 adultos e crian\u00e7as n\u00e3o vacinados, diagnosticados do in\u00edcio da pandemia at\u00e9 mar\u00e7o de 2021, indicou que um em cada dois apresentou condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade prolongadas, depois da fase aguda.<br \/>\nEntre elas, problemas digestivos, pulmonares, dermatol\u00f3gicos e mentais. &#8220;A batalha de uma pessoa com covid n\u00e3o termina com a recupera\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o aguda&#8221;, reconhece um dos autores, Paddy Ssentongo.<br \/>\nConsenso<br \/>\nAgora, com um n\u00famero expressivo de pacientes recuperados desde que os primeiros casos emergiram, aumentaram as possibilidades de se estudar as sequelas da infec\u00e7\u00e3o pelo Sars-CoV-2, tanto em rela\u00e7\u00e3o aos sintomas mais expressivos quanto ao tempo de dura\u00e7\u00e3o deles. Neste m\u00eas, um painel internacional definiu covid longa para fins de pesquisa, norteando o trabalho dos cientistas que buscam entender melhor essa condi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO conceito n\u00e3o servir\u00e1 para diagn\u00f3stico, apenas para direcionar melhor os estudos, pois, na literatura cient\u00edfica, as varia\u00e7\u00f5es de preval\u00eancia e caracter\u00edsticas das sequelas s\u00e3o muito amplas. A defini\u00e7\u00e3o assemelha-se \u00e0 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS): o paciente que apresenta ao menos um sinal f\u00edsico, com impactos negativos que interferem na vida di\u00e1ria e persistem por, no m\u00ednimo, 12 semanas.<br \/>\nUma importante descoberta sobre a condi\u00e7\u00e3o foi revelada h\u00e1 poucos dias pela Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a em Sa\u00fade do Reino Unido. Os autores do estudo analisaram 15 publica\u00e7\u00f5es sobre a efetividade das vacinas contra a covid longa. A principal conclus\u00e3o desses artigos \u00e9 a de que a imuniza\u00e7\u00e3o reduz os sintomas ou a incid\u00eancia das sequelas, sendo que o efeito \u00e9 mais protetivo em pessoas que se submeteram a pelo menos duas doses. Embora em todas as pesquisas avaliadas tenha havido casos de piora dos sinais p\u00f3s-vacina\u00e7\u00e3o, estes foram minoria. O n\u00famero de participantes dos trabalhos variou de poucas centenas a mais de 240 mil.<br \/>\n&#8220;A revis\u00e3o tamb\u00e9m encontrou evid\u00eancias que sugerem que os sintomas podem ser mais leves em pessoas que foram vacinadas ap\u00f3s terem desenvolvido covid h\u00e1 muito tempo, embora observe que os dados para isso n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o robustos e s\u00e3o necess\u00e1rios mais trabalhos para confirmar isso&#8221;, diz Deborah Dunn-Walters, da Universidade de Surrey. &#8220;O artigo enfatiza a import\u00e2ncia de todos, independentemente da idade, serem vacinados. A vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 a maneira mais segura e eficaz de se proteger de adoecer e de sofrer de longa infec\u00e7\u00e3o p\u00f3s-covid&#8221;, ressalta a imunologista.<br \/>\n Detec\u00e7\u00e3o em idosos<br \/>\nUma em cada tr\u00eas pessoas com mais de 65 anos que tiveram covid em 2020 desenvolveram pelo menos uma nova condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, que exigiu cuidados m\u00e9dicos nos meses seguintes \u00e0 fase aguda, segundo um estudo norte-americano publicado na revista BMJ. As complica\u00e7\u00f5es envolveram uma s\u00e9rie de \u00f3rg\u00e3os e importantes sistemas, incluindo cardiopulmonar e hep\u00e1tico, al\u00e9m de problemas na sa\u00fade mental. Estudos sobre a covid longa em idosos s\u00e3o pouco comuns. Este, da Academia de Ci\u00eancias M\u00e9dicas, envolveu dados de 133.366 indiv\u00edduos da faixa et\u00e1ria, infectados pelo Sars-CoV-2 do in\u00edcio da pandemia a 1\u00b0 de abril de 2020.<br \/>\nSobrecarga do sistema imunol\u00f3gico<br \/>\nOs mecanismos pelos quais a covid causa sintomas persistentes em sobreviventes n\u00e3o s\u00e3o totalmente compreendidos. Acredita-se que eles podem resultar da sobrecarga do sistema imunol\u00f3gico desencadeada pelo v\u00edrus, por infec\u00e7\u00e3o persistente, reinfec\u00e7\u00e3o ou aumento da produ\u00e7\u00e3o de autoanticorpos \u2014 aqueles que atacam os pr\u00f3prios tecidos). O Sars-CoV-2 pode acessar, entrar e se alojar no sistema nervoso. Como resultado, sinais associados, como dist\u00farbios do paladar ou do olfato, comprometimento da mem\u00f3ria e diminui\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o, ocorrem comumente depois da fase aguda.<br \/>\nAgora, pesquisadores da National Jewish Health, em Israel, lan\u00e7am novas luzes sobre as causas da covid longa. Em um artigo publicado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, os cientistas afirmam que as mitoc\u00f4ndrias \u2014 organelas nas c\u00e9lulas respons\u00e1veis pela gera\u00e7\u00e3o de energia \u2014 n\u00e3o funcionaram adequadamente em pacientes com s\u00edndrome p\u00f3s-infec\u00e7\u00e3o. Uma bateria de exerc\u00edcios f\u00edsicos monitorada por aparelhos revelou essa disfun\u00e7\u00e3o no tecido muscular, mas os autores acreditam que o mesmo processo esteja relacionado a sintomas nos sistemas pulmonar e neurol\u00f3gico.<br \/>\nOs pesquisadores querem entender melhor como o v\u00edrus altera as c\u00e9lulas e como esses efeitos podem ser revertidos ou reparados, diz Irina Petrache, principal autora do artigo. &#8220;Com os testes que temos dispon\u00edveis aqui, estamos confiantes de que em breve teremos ainda mais respostas para aqueles com s\u00edndrome p\u00f3s-covid. Mas, \u00e0 medida que continuamos a aprender mais, a melhor maneira de evitar complica\u00e7\u00f5es \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o, usando m\u00e1scaras e vacinando&#8221;, ressalta.<br \/>\nOutro aspecto que vem sendo investigado \u00e9 a possibilidade de prever o risco de covid prolongada a partir de fatores que podem ser medidos no in\u00edcio da infec\u00e7\u00e3o. Entre eles, a presen\u00e7a de alguns tipos de anticorpos, o diagn\u00f3stico pr\u00e9-existente de diabetes, os n\u00edveis de material gen\u00e9tico (RNA) do Sars-CoV-2 no sangue e do DNA do v\u00edrus Epsein-Barr no organismo, segundo pesquisadores do Instituto de Sistemas Biol\u00f3gicos (ISB), em Washington, nos EUA.<br \/>\n&#8220;Identificar esses fatores \u00e9 um grande passo \u00e0 frente, n\u00e3o apenas para entender a covid longa e potencialmente trat\u00e1-la, mas tamb\u00e9m para identificar os pacientes que correm maior risco de desenvolver doen\u00e7as cr\u00f4nicas&#8221;, disse, em nota, o presidente da ISB, Jim Heath, co-autor de um artigo que ser\u00e1 publicado na revista Cell. &#8220;Essas descobertas tamb\u00e9m est\u00e3o nos ajudando a estruturar nosso pensamento em torno de outras condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas&#8221;, diz. Para estabelecer os crit\u00e9rios de risco, os cientistas coletaram amostras de sangue e de secre\u00e7\u00e3o nasal de 309 pacientes com covid em diferentes momentos da doen\u00e7a. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco mais de dois anos do in\u00edcio da pandemia, muito j\u00e1 se sabe sobre o v\u00edrus causador da covid e, embora as op\u00e7\u00f5es de tratamento espec\u00edficas para a doen\u00e7a ainda sejam poucas, n\u00e3o se pode mais dizer que o mundo est\u00e1 lidando com um inimigo desconhecido. 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