{"id":5953,"date":"2022-02-07T07:30:58","date_gmt":"2022-02-07T10:30:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5953"},"modified":"2022-02-07T07:30:58","modified_gmt":"2022-02-07T10:30:58","slug":"pacientes-com-cancer-tem-que-sair-de-suas-cidades-para-receber-tratamento-pelo-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/pacientes-com-cancer-tem-que-sair-de-suas-cidades-para-receber-tratamento-pelo-sus\/","title":{"rendered":"Pacientes com c\u00e2ncer t\u00eam que sair de suas cidades para receber tratamento pelo SUS"},"content":{"rendered":"<p>Com uma extens\u00e3o territorial de mais de 8 milh\u00f5es de quil\u00f4metros, o Brasil enfrenta desigualdades no acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade. De acordo com um estudo da Fiocruz, mais da metade dos brasileiros (entre 49% e 60%) que fazem tratamento contra um c\u00e2ncer pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) precisam deixar o seu munic\u00edpio de resid\u00eancia para receber assist\u00eancia especializada. O trabalho, publicado em dezembro na revista cient\u00edfica The Lancet Regional Health Americas, comparou per\u00edodos de tempo diferentes e aponta que essa dificuldade no acesso ao tratamento permanece nos \u00faltimos dez anos.<br \/>\nCoordenado pela pesquisadora Bruna Fonseca, do CDTS (Centro de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico em Sa\u00fade\/Fiocruz), o estudo utilizou dados dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o do SUS para mapear as redes de deslocamento de pacientes e a acessibilidade geogr\u00e1fica ao tratamento do c\u00e2ncer em todo pa\u00eds. Para o trabalho, foram analisados 12.751.728 procedimentos de tratamento \u2212 cir\u00fargico, radioter\u00e1pico e quimioter\u00e1pico \u2212 ao longo de dois per\u00edodos: 2009-2010 e 2017-2018.<br \/>\nAp\u00f3s a an\u00e1lise dos dados, os pesquisadores apontaram que h\u00e1 disparidades regionais. Pacientes das regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste t\u00eam o acesso aos servi\u00e7os oncol\u00f3gicos especializados mais dificultado: dependendo do tipo de tratamento, a maioria desses pacientes tiveram que percorrer uma m\u00e9dia de 296 a 870 quil\u00f4metros para se tratar contra um c\u00e2ncer. Bruna ressalta que todos os pacientes residentes nos estados de Roraima e Amap\u00e1 precisaram se deslocar para receber atendimento radioter\u00e1pico e que a maioria percorreu mais de 2 mil quil\u00f4metros em m\u00e9dia. J\u00e1 pacientes residentes nas regi\u00f5es Sul e Sudeste percorreram em m\u00e9dia 90 a 134 quil\u00f4metros para receber tratamento.<br \/>\nA pesquisadora enfatiza que a necessidade de se deslocar pode trazer preju\u00edzos ao tratamento do paciente. Muitas vezes, esses deslocamentos s\u00e3o inacess\u00edveis financeiramente, podem retardar o in\u00edcio e prejudicar a ader\u00eancia ao tratamento. \u201cTudo isso pode causar uma piora no progn\u00f3stico e na qualidade de vida do paciente, que pode n\u00e3o conseguir atingir a frequ\u00eancia ideal para realizar seu tratamento\u201d, explica Bruna.<br \/>\nA maior parte dos polos de atra\u00e7\u00e3o para atendimento oncol\u00f3gico foram identificados nas regi\u00f5es Sudeste e Nordeste, sendo Barretos (SP) o principal para todos os tipos de tratamento ao longo do tempo. Segundo o estudo, 95% dos pacientes que fazem cirurgia, radioterapia ou quimioterapia no munic\u00edpio s\u00e3o de outras cidades.<br \/>\nNesse caso, Bruna ressalta que apesar de existir um sistema de regula\u00e7\u00e3o para organizar o tratamento de c\u00e2ncer no pa\u00eds, \u00e9 importante questionar que outros aspectos podem estar envolvidos na percep\u00e7\u00e3o dos pacientes sobre os locais de tratamento, como a estrutura do lugar, anseios pessoais e o tipo de acolhimento oferecido. \u201cH\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o popular do que \u00e9 refer\u00eancia no tratamento de c\u00e2ncer, o que faz com que os pacientes se desloquem, independentemente das dist\u00e2ncias e do planejado nas pol\u00edticas de sa\u00fade\u201d.<br \/>\nOs pesquisadores enfatizam que a acessibilidade geogr\u00e1fica aos servi\u00e7os no pa\u00eds evoluiu pouco, j\u00e1 que o percentual de pessoas que precisa se deslocar para se tratar quase n\u00e3o mudou na compara\u00e7\u00e3o dos dois per\u00edodos de tempo. \u201c\u00c9 preciso mapear esses vazios assistenciais para poder planejar a implementa\u00e7\u00e3o de novos centros especializados\u201d, diz Bruna.<br \/>\nAgora os pesquisadores pretendem buscar financiamento para desenvolver uma plataforma online capaz de disponibilizar os resultados do estudo de maneira visual e interativa. O objetivo \u00e9 ampliar o acesso a essas informa\u00e7\u00f5es, especialmente para gestores de sa\u00fade, para que possam planejar, avaliar e desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas mais efetivas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma extens\u00e3o territorial de mais de 8 milh\u00f5es de quil\u00f4metros, o Brasil enfrenta desigualdades no acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade. 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