{"id":5816,"date":"2022-01-12T18:49:54","date_gmt":"2022-01-12T21:49:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5816"},"modified":"2022-01-12T18:49:54","modified_gmt":"2022-01-12T21:49:54","slug":"pesquisa-da-fiocruz-sobre-animais-silvestres-e-covid-19-e-tema-de-documentario-da-bbc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/pesquisa-da-fiocruz-sobre-animais-silvestres-e-covid-19-e-tema-de-documentario-da-bbc\/","title":{"rendered":"Pesquisa da Fiocruz sobre animais silvestres e Covid-19 \u00e9 tema de document\u00e1rio da BBC"},"content":{"rendered":"<p>Os estudos realizados pela pesquisadora Alessandra Nava, do Instituto Le\u00f4nidas &#038; Maria Deane (ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f4nia), sobre o monitoramento de animais silvestres e o novo coronav\u00edrus, integram document\u00e1rio da r\u00e1dio brit\u00e2nica BBC. O document\u00e1rio, intitulado Forest fear  (O medo da floresta, em portugu\u00eas), \u00e9 conduzido pela jornalista ambiental, Lucy Jordan, e tem como narrativa-guia o surgimento de novas doen\u00e7as e ressurgimento de outras, a partir do desmatamento da floresta, linha de estudo das pesquisas desenvolvidas por Alessandra Nava. O document\u00e1rio foi lan\u00e7ado no site da r\u00e1dio BBC, no \u00faltimo s\u00e1bado (8\/1).<br \/>\n\u201cA Amaz\u00f4nia \u00e9 um lugar de alta biodiversidade, desde fauna e flora, e com grandes altera\u00e7\u00f5es ambientais, como desmatamento, redu\u00e7\u00e3o das florestas urbanas, no caso de Manaus, e isso traz consequ\u00eancias para a sa\u00fade. A nossa linha de pesquisa \u00e9 voltada ao one health (sa\u00fade \u00fanica), ou seja, no entendimento de que a doen\u00e7a dos animais e dos humanos est\u00e1 associada\u201d, explica Nava.<br \/>\nO projeto \u2013 que conta com recursos da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) \u2013 \u00e9 realizado em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por meio do projeto Sauim-de-Coleira; o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Manaus, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama); Universidade Federal Rural da Amaz\u00f4nia (Ufra); e o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio).<br \/>\nConforme Alessandra, o monitoramento ativo \u00e9 desenvolvido com morcegos, primatas e roedores, coletados na floresta \u2013 Cetas, \u00e1reas da Ufam, florestas preservadas, al\u00e9m do assentamento Rio Pardo, na BR-174 (Manaus-Boa Vista), no munic\u00edpio de Presidente Figueiredo (a 126 quil\u00f4metros da capital). Os trabalhos de coleta duram em m\u00e9dia 20 dias. De cada esp\u00e9cie s\u00e3o coletadas amostras para detec\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias, v\u00edrus e pat\u00f3genos diversos. O material integra o biobanco da vida silvestre, que disp\u00f5e de mais de 200 animais amostrados.<br \/>\n\u201cNo biobanco guardamos amostras de animais de dif\u00edcil acesso, alguns de esp\u00e9cies amea\u00e7adas, um exemplo \u00e9 o sauim-de-coleira, um dos primatas mais amea\u00e7ados do planeta. A coleta de amostras despende tempo e dinheiro e com o biobanco temos material de uma forma perfeita, dentro de um protocolo ideal, que pode servir para diversos estudos futuros\u201d, informa.<br \/>\nEla destaca que o primordial \u00e9 saber quais pat\u00f3genos circulam nos animais, e como as altera\u00e7\u00f5es ambientais est\u00e3o contribuindo para isso. Esse estudo \u00e9 essencial para realizar o planejamento em sa\u00fade p\u00fablica e vigil\u00e2ncia.<br \/>\n\u201cNesse monitoramento ativo, estamos verificando desde o novo coronav\u00edrus a outros pat\u00f3genos. Esse monitoramento deve ser realizado continuamente para que n\u00e3o haja nenhuma surpresa mais \u00e0 frente. Pois h\u00e1 o perigo tamb\u00e9m do homem transmitir Sars-Cov-2 como outros pat\u00f3genos para a fauna\u201d, observa.<br \/>\nViabilidade<br \/>\nDe acordo com Nava, o estudo com morcegos, primatas e roedores se d\u00e1 pelo fato dessas esp\u00e9cies auxiliarem na mostra de um painel da diversidade viral. Morcegos, comenta a pesquisadora, s\u00e3o reservat\u00f3rios competentes para v\u00e1rias doen\u00e7as, al\u00e9m de apresentarem caracter\u00edsticas evolutivas e imunol\u00f3gicas e dificilmente adoecerem, e conviverem com v\u00e1rios pat\u00f3genos n\u00e3o s\u00f3 virais, mas bacterianos e f\u00fangicos.<br \/>\n\u201cEles n\u00e3o s\u00e3o fontes de doen\u00e7a, s\u00e3o animais important\u00edssimos para o planeta e fazem servi\u00e7os ecossist\u00eamicos maravilhosos, mas pelas caracter\u00edsticas inerentes a esp\u00e9cie, eles podem albergar diversos v\u00edrus, n\u00e3o necessariamente passando para a gente. S\u00e3o esp\u00e9cies sentinelas muito importantes, em que a gente pode verificar a preval\u00eancia de doen\u00e7as nessa popula\u00e7\u00e3o e se preparar para caso aconte\u00e7a alguma coisa\u201d, pontua.<br \/>\nO estudo com primatas, continua Nava, se d\u00e1 pelo fato de que eles t\u00eam caracter\u00edstica filogeneticamente muito pr\u00f3xima \u00e0s do humano. J\u00e1 os roedores, por serem abundantes, est\u00e3o praticamente no mundo todo, tamb\u00e9m s\u00e3o reservat\u00f3rios competentes, n\u00e3o tanto quanto os morcegos, ressalta Alessandra.<br \/>\nEvid\u00eancia<br \/>\nNos \u00faltimos dois anos, as pesquisas de monitoramento de animais silvestres e o novo coronav\u00edrus ganharam visibilidade em in\u00fameras televis\u00f5es do mundo, segundo Alessandra Nava.<br \/>\n\u201cA m\u00eddia especializada e os cientistas sabem que a pr\u00f3xima pandemia pode vir de um local com alta biodiversidade e alta press\u00e3o antr\u00f3pica, e aqui a gente sabe que o desmatamento aumentou muito, por v\u00e1rios motivos. Aqui temos v\u00e1rios fatores que podem contribuir para isso. Da\u00ed essa procura pelos estudos que estamos realizando, por saber que estamos fazendo algo pelo planeta\u201d, conclui.<br \/>\nPesquisadora<br \/>\nDoutora em Epidemiologia experimental e Aplicada \u00e0 Zoonoses, pela Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a pesquisadora Alessandra Nava \u00e9 bolsista do ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f4nia, desde 2014. Atua principalmente nos seguintes temas: ecologia de doen\u00e7as infecto contagiosas, doen\u00e7as emergentes, sa\u00fade p\u00fablica, medicina da conserva\u00e7\u00e3o, epidemiologia, biologia da conserva\u00e7\u00e3o e enfermidades infecciosas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os estudos realizados pela pesquisadora Alessandra Nava, do Instituto Le\u00f4nidas &#038; Maria Deane (ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f4nia), sobre o monitoramento de animais silvestres e o novo coronav\u00edrus, integram document\u00e1rio da r\u00e1dio brit\u00e2nica BBC. 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