{"id":5654,"date":"2021-12-12T19:30:56","date_gmt":"2021-12-12T22:30:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5654"},"modified":"2021-12-12T19:30:56","modified_gmt":"2021-12-12T22:30:56","slug":"virologista-da-fiocruz-integra-grupo-da-oms-que-estuda-a-evolucao-do-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/virologista-da-fiocruz-integra-grupo-da-oms-que-estuda-a-evolucao-do-coronavirus\/","title":{"rendered":"Virologista da Fiocruz integra grupo da OMS que estuda a evolu\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p>Quando a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) decidiu classificar a cepa \u00d4micron do coronav\u00edrus como uma variante de preocupa\u00e7\u00e3o, a entidade considerou as recomenda\u00e7\u00f5es de um comit\u00ea de especialistas. Chamado de Grupo Consultivo T\u00e9cnico sobre Evolu\u00e7\u00e3o do V\u00edrus Sars-CoV-2 (TAG-VE), o seleto grupo de cientistas conta com uma virologista brasileira em sua composi\u00e7\u00e3o: a pesquisadora Marilda Siqueira, chefe do Laborat\u00f3rio de V\u00edrus Respirat\u00f3rios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz).<br \/>\nO comit\u00ea \u00e9 composto por 25 cientistas de excel\u00eancia em especialidades diversas, como virologia, bioinform\u00e1tica e epidemiologia. Tamb\u00e9m representam diferentes regi\u00f5es do planeta. A pesquisadora do IOC representa a Am\u00e9rica Latina, ao lado de uma cientista do Chile.<br \/>\nO Grupo Consultivo T\u00e9cnico foi oficializado pela OMS em outubro. Por\u00e9m, desde junho de 2020, os cientistas vinham se reunindo a pedido da entidade para avaliar muta\u00e7\u00f5es no genoma e emerg\u00eancia de variantes do coronav\u00edrus, constituindo, informalmente, um grupo de trabalho sobre evolu\u00e7\u00e3o viral. A partir da formaliza\u00e7\u00e3o, os especialistas passaram a se reunir regularmente, no m\u00ednimo, duas vezes ao m\u00eas, al\u00e9m de atender convoca\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias, como vem ocorrendo ap\u00f3s a detec\u00e7\u00e3o da \u00d4micron.<br \/>\n\u201cEstamos em sistema de alerta, fazendo reuni\u00f5es frequentes para acompanhar de perto todos os indicadores relacionados a essa variante. At\u00e9 o momento, s\u00e3o conhecidas as muta\u00e7\u00f5es presentes no genoma da \u00d4micron, que sinalizam para o potencial de maior transmissibilidade, mas n\u00e3o sabemos o quanto isso vai impactar, principalmente, em hospitaliza\u00e7\u00f5es e mortes\u201d, relata Marilda.<br \/>\nO primeiro caso conhecido de infec\u00e7\u00e3o pela nova variante foi confirmado na \u00c1frica do Sul, em uma amostra coletada de um paciente em 9 de novembro. No dia 24, o pa\u00eds alertou a OMS sobre a detec\u00e7\u00e3o da cepa. Dois dias depois, ocorreu a reuni\u00e3o do Grupo Consultivo T\u00e9cnico, que recomendou a classifica\u00e7\u00e3o como variante de preocupa\u00e7\u00e3o, considerando que as evid\u00eancias indicam uma mudan\u00e7a prejudicial para a epidemiologia da Covid-19.<br \/>\nSegundo Marilda, as consequ\u00eancias da dissemina\u00e7\u00e3o da \u00d4micron provavelmente ser\u00e3o mais graves nas regi\u00f5es com baixa cobertura vacinal, como ocorre no continente africano. No entanto, ainda s\u00e3o necess\u00e1rios estudos para avaliar o grau de efetividade dos imunizantes atualmente dispon\u00edveis contra a nova variante, e medidas de prote\u00e7\u00e3o individual, como uso de m\u00e1scaras, lavagem das m\u00e3os e distanciamento social, devem ser adotadas por todos.<br \/>\n\u201cTemos cen\u00e1rios diversos no mundo. A \u00c1frica do Sul \u00e9 um dos pa\u00edses africanos com maior taxa de imuniza\u00e7\u00e3o e tem cerca de 28% da popula\u00e7\u00e3o vacinada. \u00c9 um cen\u00e1rio no qual uma nova variante, provavelmente, impacta mais do que onde h\u00e1 popula\u00e7\u00f5es altamente vacinadas. No Brasil, temos grande parte da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 com duas doses e v\u00e1rios grupos de risco, como os idosos, com a terceira dose. Isso pode nos favorecer, mas tem que estar acompanhado de medidas de prote\u00e7\u00e3o individual, que n\u00e3o podem ser abandonadas nesse momento\u201d, salienta a pesquisadora.<br \/>\nVigil\u00e2ncia gen\u00f4mica<br \/>\nO fato de a \u00d4micron ter sido detectada pela primeira vez na \u00c1frica do Sul n\u00e3o significa que a variante surgiu necessariamente nesse pa\u00eds. A cepa pode ter se originado em outro local. No entanto, pela capacidade de vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica, os sul africanos foram os primeiros a decodificar o genoma do v\u00edrus, identificando o grande n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es e alertando sobre o risco para a sa\u00fade p\u00fablica.<br \/>\nA virologista enfatiza a relev\u00e2ncia desse tipo de trabalho. Como Centro de Refer\u00eancia Nacional em V\u00edrus Respirat\u00f3rios para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e Refer\u00eancia em Covid-19 nas Am\u00e9ricas para OMS, o Laborat\u00f3rio de V\u00edrus Respirat\u00f3rios e do Sarampo do IOC atua rotineiramente no sequenciamento gen\u00e9tico de amostras e no acompanhamento da evolu\u00e7\u00e3o do genoma do coronav\u00edrus, buscando identificar muta\u00e7\u00f5es com poss\u00edvel impacto para a sa\u00fade p\u00fablica. O laborat\u00f3rio tamb\u00e9m integra a Rede Gen\u00f4mica Fiocruz, que re\u00fane especialistas de todas as unidades da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de institui\u00e7\u00f5es parcerias para gerar dados robustos sobre o genoma do Sars-CoV-2 no Brasil.<br \/>\n\u201cMuta\u00e7\u00f5es no genoma podem sinalizar, por exemplo, maior capacidade de transmiss\u00e3o do v\u00edrus, possibilidade de causar doen\u00e7a grave ou potencial para escapar da resposta imune induzida pela vacina\u00e7\u00e3o ou por uma infec\u00e7\u00e3o natural anterior. Essas quest\u00f5es t\u00eam que ser acompanhadas de perto porque influenciam diretamente as estrat\u00e9gias utilizadas pelos minist\u00e9rios da sa\u00fade dos pa\u00edses no controle da Covid-19\u201d, declara Marilda.<br \/>\n\u201cEsses dados tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para que os produtores de vacinas, tratamentos e testes de diagn\u00f3stico possam fazer ensaios para verificar a efetividade dos produtos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s variantes. Estudos deste tipo est\u00e3o ocorrendo neste momento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00d4micron\u201d, acrescenta a pesquisadora.<br \/>\nNas reuni\u00f5es do Grupo Consultivo, os especialistas discutem e analisam as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para avaliar o impacto das variantes do Sars-CoV-2 na transmissibilidade, gravidade, diagn\u00f3stico e tratamento da Covid-19. Cabe ao comit\u00ea, nomear as variantes virais e determinar sua classifica\u00e7\u00e3o como variante de preocupa\u00e7\u00e3o, de interesse ou sob monitoramento, considerando, sobretudo, o impacto para a sa\u00fade p\u00fablica.<br \/>\nEntre as fun\u00e7\u00f5es dos especialistas est\u00e3o ainda alertar a OMS para muta\u00e7\u00f5es relevantes no genoma do coronav\u00edrus, sugerir pesquisas e aconselhar a entidade sobre medidas para fortalecimento dos mecanismos para identifica\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e sobre estrat\u00e9gias para mitigar o seu impacto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) decidiu classificar a cepa \u00d4micron do coronav\u00edrus como uma variante de preocupa\u00e7\u00e3o, a entidade considerou as recomenda\u00e7\u00f5es de um comit\u00ea de especialistas. 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