{"id":5622,"date":"2021-12-07T16:34:36","date_gmt":"2021-12-07T19:34:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5622"},"modified":"2021-12-07T16:34:36","modified_gmt":"2021-12-07T19:34:36","slug":"reuniao-discute-desigualdade-em-saude-e-lanca-declaracao-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/reuniao-discute-desigualdade-em-saude-e-lanca-declaracao-do-rio\/","title":{"rendered":"Reuni\u00e3o discute desigualdade em sa\u00fade e lan\u00e7a Declara\u00e7\u00e3o do Rio"},"content":{"rendered":"<p>Quinze anos ap\u00f3s a sua cria\u00e7\u00e3o numa confer\u00eancia na Fiocruz, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Institutos de Sa\u00fade P\u00fablica (Ianphi, na sigla em ingl\u00eas) voltou \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o para a sua reuni\u00e3o anual, de 1 a 3 de dezembro, tendo como tema central as inequidades em sa\u00fade. O encontro de tr\u00eas dias culminou com a apresenta\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro sobre o papel dos Institutos Nacionais de Sa\u00fade P\u00fablica (Insp). O documento sugere a cria\u00e7\u00e3o ou o fortalecimento dos Observat\u00f3rios de Inequidades em Sa\u00fade nas institui\u00e7\u00f5es associadas.<\/p>\n<p>O texto incentiva tamb\u00e9m \u201caplicar pesquisas epidemiol\u00f3gicas capazes de reunir evid\u00eancias sobre as diferen\u00e7as territoriais de realidades sociais e econ\u00f4micas urbanas e rurais, como forma de melhor priorizar servi\u00e7os de sa\u00fade e induzir pol\u00edticas p\u00fablicas para aumentar a participa\u00e7\u00e3o da comunidade e reduzir as desigualdades\u201d \u2212 apontadas como \u201co principal determinante em sa\u00fade e doen\u00e7as, n\u00e3o s\u00f3 nesta pandemia, como nas que est\u00e3o por vir\u201d. Por sete dias, coment\u00e1rios ser\u00e3o recebidos antes da divulga\u00e7\u00e3o final da declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos pontos que poder\u00e3o entrar \u00e9 o reconhecimento dos \u201cdeterminantes estruturais de desigualdade\u201d e a defesa de mecanismos que deem voz mais forte \u00e0 associa\u00e7\u00e3o, tanto em seus pa\u00edses como internacionalmente \u2212 pontos que surgiram durante as discuss\u00f5es.<br \/>\nLaborat\u00f3rios m\u00f3veis e \u00f4nibus de vacina\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>Sob o tema Recuperando-se de pandemias: construindo um mundo mais saud\u00e1vel e justo, a reuni\u00e3o anual come\u00e7ou com a assembleia-geral, aberta pela presidente da Fiocruz, N\u00edsia Trindade Lima, e sob o impacto do surgimento de uma nova variante do Sars-CoV-2. Assim como o presidente da Ianphi, Duncan Selbie, N\u00edsia destacou o reconhecimento da atua\u00e7\u00e3o dos institutos de sa\u00fade p\u00fablica durante a pandemia de Covid-19, e elogiou associa\u00e7\u00e3o por conectar e ajudar a desenvolver essas organiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nLembrando que a pandemia tornou mais claras &#8220;as desigualdades s\u00f3cio sanit\u00e1rias\u201d, N\u00edsia afirmou que a equidade n\u00e3o se limita \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de vacinas, mas tamb\u00e9m de insumos, como luvas e m\u00e1scaras que faltaram em muitos lugares. \u201cPara termos um mundo mais saud\u00e1vel, precisamos e um mundo mais justo\u201d. Ela sugeriu ainda que a Ianphi aprofunde suas rela\u00e7\u00f5es com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) e \u201clevante sua voz em todas as assembleias mundiais de sa\u00fade\u201d.<br \/>\nA Ianphi foi criada em 2016 no Rio de Janeiro, numa reuni\u00e3o hospedada pela Fiocruz durante a gest\u00e3o do ex-presidente Paulo Buss. Na \u00e9poca, eram 39 institutos. Hoje a associa\u00e7\u00e3o conta com 110 membros em 95 pa\u00edses. A assembleia foi seguida pelo semin\u00e1rio aberto ao p\u00fablico e realizado em parceria com o Centro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais em Sa\u00fade (Cris\/Fiocruz).<br \/>\nIniciativas foram compartilhadas na mesa Experi\u00eancia dos Institutos Nacionais de Sa\u00fade P\u00fablica na resposta \u00e0 Covid-19: perspectivas da equidade em sa\u00fade. Natalie Mayet, vice-diretora do Instituto Nacional para Doen\u00e7as Comunic\u00e1veis (NICD) da \u00c1frica do Sul, contou que seu pa\u00eds tinha \u201carmas\u201d para enfrentar a chegada da Covid-19, \u201cmas n\u00e3o muni\u00e7\u00e3o\u201d, numa refer\u00eancia \u00e0 falta de reagentes para os testes de Sars-CoV-2.<br \/>\nUma das iniciativas da \u00c1frica do Sul foram os laborat\u00f3rios m\u00f3veis com testes de ant\u00edgenos, que se deslocaram at\u00e9 as \u201cportas de entrada\u201d no pa\u00eds. A Ge\u00f3rgia, por sua vez, lan\u00e7ou m\u00e3o de \u201c\u00f4nibus de vacina\u00e7\u00e3o\u201d e grupos m\u00f3veis para atender pessoas com defici\u00eancia, contou Natia Skhvitaridze, conselheira da Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Sa\u00fade P\u00fablica e Global.<br \/>\nQuanto mais vulner\u00e1vel a \u00e1rea em que a pessoa vive, maior a testagem positiva para Covid-19, observou Genevi\u00e8ve Ch\u00eane, diretora-executiva do Sant\u00e9 Public France. \u201cA mortalidade tamb\u00e9m \u00e9 mais elevada nas \u00e1reas mais carentes\u201d, contou. Com base nesse levantamento, a Fran\u00e7a investiu em a\u00e7\u00f5es especificas para grupos mais vulner\u00e1veis, como os imigrantes.<br \/>\nYujin Jeong, diretora da Ag\u00eancia de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as da Coreia do Sul, contou que seu pa\u00eds se baseou na \u201cestrat\u00e9gia dos 3Ts\u201d: testagem, rastreamento (tracking) dos casos e tratamento. Para isso se valeu da experi\u00eancia adquirida com o surto de Mers, em 2015. At\u00e9 rastreamento dos cart\u00f5es de cr\u00e9dito foi feito para ver o caminho do v\u00edrus e encontrar pessoas que tiveram contato com o paciente.<br \/>\nLente da equidade<br \/>\nNo painel Ferramentas e estrat\u00e9gias de equidade em sa\u00fade foi poss\u00edvel constatar problemas estruturais semelhantes em diferentes pa\u00edses. O M\u00e9xico, por exemplo, viu a necessidade de desenvolver um programa para os ind\u00edgenas, cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o. \u201cOs lares ind\u00edgenas s\u00e3o cinco vezes mais prop\u00edcios a viverem em extrema pobreza, suas crian\u00e7as apresentam altura abaixo da m\u00e9dia, e a mortalidade por mil nascimentos \u00e9 de 14,4% em municipalidades ind\u00edgenas, contra 10,2% em outras \u00e1reas\u201d, contou Juan Rivera, diretor do Instituto Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica. \u201c\u00c9 preciso treinar os alunos de sa\u00fade como agentes de mudan\u00e7a. A perspectiva de justi\u00e7a social deve estar presente na sa\u00fade. Devemos aplicar a lente da equidade\u201d, defendeu. Rivera sugeriu o treinamento dos curandeiros ind\u00edgenas para que incorporem pr\u00e1ticas da medicina moderna, como foi feito com parteiras locais com bom resultado.<br \/>\nCarlos Casta\u00f1eda, diretor do Observat\u00f3rio Nacional de Sa\u00fade da Col\u00f4mbia, contou que a &#8220;lacuna est\u00e1 aumentando\u201d para os ind\u00edgenas, grandes v\u00edtimas tamb\u00e9m do conflito armado que o pa\u00eds vive h\u00e1 d\u00e9cadas. Criado h\u00e1 dez anos, o Observat\u00f3rio vem levantando dados de determinantes sociais, que mostram a vulnerabilidade das popula\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas<br \/>\nPara Felix Rosenberg, pesquisador da Fiocruz e coordenador da Rede Regional Am\u00e9rica Latina da Ianphi, todos concordam com \u201ca origem estrutural das desigualdades e que, por serem estruturais, tendem a se reproduzir\u201d. Para enfrent\u00e1-las, ele defende um trabalho intersetorial e local.<br \/>\nClima e sa\u00fade<br \/>\nNo \u00faltimo dia, o semin\u00e1rio se concentrou em clima e sa\u00fade. No painel Integrando a equidade em sa\u00fade nas a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e ambientais dos Insp, Ingrid Stegement, gerente de programa da EuroHealthNet &#8211; rede com 61 membros em 26 pa\u00edses \u2212 disse que ningu\u00e9m duvida da rela\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com a sa\u00fade, o problema \u00e9 \u201cpassar da ret\u00f3rica \u00e0 a\u00e7\u00e3o\u201d. \u201c\u00c9 importante falar de uma transi\u00e7\u00e3o socialmente justa. Reduzir desigualdades deve ser uma prioridade cada vez maior. Isso significa adotar posi\u00e7\u00f5es mais pol\u00edticas\u201d.<br \/>\nTatiana Marrufo, diretora do Observat\u00f3rio Nacional da Secretaria T\u00e9cnica de Sa\u00fade de Mo\u00e7ambique, relacionou a preval\u00eancia de doen\u00e7as como c\u00f3lera, diarreia e mal\u00e1ria a eventos clim\u00e1ticos extremos, como ciclones, enchentes e secas. O Observat\u00f3rio tenta prever os impactos na sa\u00fade de forma a preparar respostas, como o desenvolvimento de alertas precoces e investiga\u00e7\u00e3o de surtos.<br \/>\nDa B\u00e9lgica veio o Projeto Ellis, de monitoramento e mitiga\u00e7\u00e3o em sa\u00fade ambiental. Ele procura identificar \u201cfatores estressantes\u201d que podem aumentar o risco de doen\u00e7as e avaliar o impacto de pol\u00edticas nas inequidades. Para isso, leva em conta tr\u00eas fatores: priva\u00e7\u00e3o s\u00f3cio econ\u00f4mica, exposi\u00e7\u00e3o ambiental e consequ\u00eancias na sa\u00fade.<br \/>\nAo comentar as COP 26, de Glasgow, e 15, de Kunming, Luiz Augusto Galv\u00e3o, pesquisador s\u00eanior do Cris, lembrou que na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de 2009, em Copenhague, os pa\u00edses desenvolvidos prometeram US$ 30 bilh\u00f5es em ajuda aos pa\u00edses mais pobres, mas que o aux\u00edlio n\u00e3o se concretizou. No entanto, os custos gerados pelos impactos clim\u00e1ticos, mesmo para os pa\u00edses ricos, foram muito maiores. Como ponto positivo da COP 26, ele citou a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil. Galv\u00e3o defendeu o ressarcimento por perdas e danos aos pa\u00edses em desenvolvimento, e um di\u00e1logo melhor Norte\/Sul e Sul\/Sul.<br \/>\nAo fim, foi apresentada Anne-Catherine Viso, que vai substituir Jean-Claude Desenclos na secretaria-geral da Ianphi. A pr\u00f3xima reuni\u00e3o ser\u00e1 de 30 de novembro a 2 de dezembro de 2022, em Estocolmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinze anos ap\u00f3s a sua cria\u00e7\u00e3o numa confer\u00eancia na Fiocruz, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Institutos de Sa\u00fade P\u00fablica (Ianphi, na sigla em ingl\u00eas) voltou \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o para a sua reuni\u00e3o anual, de 1 a 3 de dezembro, tendo como tema central as inequidades em sa\u00fade. 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