{"id":5560,"date":"2021-11-24T22:08:43","date_gmt":"2021-11-25T01:08:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5560"},"modified":"2021-11-24T22:08:44","modified_gmt":"2021-11-25T01:08:44","slug":"casos-graves-de-covid-19-estao-associados-a-envelhecimento-do-sistema-imune","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/casos-graves-de-covid-19-estao-associados-a-envelhecimento-do-sistema-imune\/","title":{"rendered":"Casos graves de Covid-19 est\u00e3o associados a envelhecimento do sistema imune"},"content":{"rendered":"<p>Casos graves de Covid-19 est\u00e3o associados a um processo de envelhecimento do sistema imunol\u00f3gico e imunodefici\u00eancia aguda. \u00c9 o que aponta um novo estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado na revista cient\u00edfica Journal of Infectious Diseases.<\/p>\n<p>Analisando amostras de sangue de pacientes hospitalizados pela doen\u00e7a, os pesquisadores detectaram sinais de hiperatividade, exaust\u00e3o e envelhecimento de c\u00e9lulas de defesa conhecidas como linf\u00f3citos T auxiliares. Segundo os cientistas, os dados indicam perda da capacidade de resposta dessas c\u00e9lulas na Covid-19 grave, o que pode facilitar infec\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias e reinfec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do IOC\/Fiocruz e da UFRJ, a pesquisa foi realizada pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiol\u00f3gicos (Bio-Manguinhos\/Fiocruz), pelo Hospital Naval Marc\u00edlio Dias, pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). No IOC\/Fiocruz, os Laborat\u00f3rios de Imunoparasitologia e de Pesquisa sobre o Timo participaram do trabalho. A publica\u00e7\u00e3o foi dedicada \u00e0 pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz Juliana de Meis, que faleceu em julho devido \u00e0 Covid-19.<\/p>\n<p>Exaust\u00e3o e senesc\u00eancia<\/p>\n<p>Coordenador do estudo, o pesquisador do Laborat\u00f3rio de Imunoparasitologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) e professor da Faculdade de Medicina da UFRJ, Alexandre Morrot, explica que os linf\u00f3citos T auxiliares atuam como maestros do sistema imune. No combate \u00e0 infec\u00e7\u00e3o, essas c\u00e9lulas reconhecem as prote\u00ednas virais e ativam as c\u00e9lulas de defesa respons\u00e1veis por combater o v\u00edrus e produzir anticorpos.<\/p>\n<p>\u201cNos pacientes com Covid-19 grave, observamos que os linf\u00f3citos T CD4 [auxiliares] est\u00e3o em est\u00e1gio final de diferencia\u00e7\u00e3o, apresentando marcadores de exaust\u00e3o e senesc\u00eancia. S\u00e3o c\u00e9lulas que perderam a capacidade de expans\u00e3o clonal, ou seja, n\u00e3o v\u00e3o se multiplicar ao entrar em contato com as prote\u00ednas virais e n\u00e3o v\u00e3o conseguir comandar uma resposta imunit\u00e1ria eficiente\u201d, afirma o imunologista.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/casos-graves-de-covid-19-estao-associados-a-envelhecimento-do-sistema-imune\/infografico_covid_imunidade_dentro\/\" rel=\"attachment wp-att-5561\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/infografico_covid_imunidade_dentro.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"593\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5561\" srcset=\"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/infografico_covid_imunidade_dentro.jpg 530w, https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/infografico_covid_imunidade_dentro-268x300.jpg 268w, https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/infografico_covid_imunidade_dentro-375x420.jpg 375w\" sizes=\"(max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><\/a><\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, o quadro pode ser caracterizado como um estado de imunodefici\u00eancia aguda. A queda na imunidade deixa os indiv\u00edduos mais vulner\u00e1veis para contrair outras infec\u00e7\u00f5es, como as pneumonias bacterianas, que s\u00e3o comuns em pacientes hospitalizados por Covid-19.<\/p>\n<p>A imunodefici\u00eancia aguda tamb\u00e9m ajuda a explicar um fen\u00f4meno que tem chamado a aten\u00e7\u00e3o na pandemia: as reinfec\u00e7\u00f5es. Desde o come\u00e7o da emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica, registros de indiv\u00edduos reinfectados pelo Sars-CoV-2, mesmo ap\u00f3s casos graves de Covid-19, surpreenderam os cientistas. Isso porque infec\u00e7\u00f5es virais agudas costumam produzir uma mem\u00f3ria imunol\u00f3gica forte, que evita, por exemplo, que a mesma pessoa contraia sarampo ou catapora duas vezes.<\/p>\n<p>\u201cA reinfec\u00e7\u00e3o ocorre em uma fra\u00e7\u00e3o pequena dos casos, mas \u00e9 mais comum do que seria esperado. A disfun\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas T CD4 [auxiliares] pode explicar a aus\u00eancia de mem\u00f3ria imunol\u00f3gica de longo prazo na Covid-19 grave\u201d, avalia Morrot.<\/p>\n<p>Hiperativa\u00e7\u00e3o imune<\/p>\n<p>A pesquisa comparou amostras referentes a 22 pacientes internados com casos graves de Covid-19 com amostras coletadas de indiv\u00edduos saud\u00e1veis. Al\u00e9m da presen\u00e7a de mol\u00e9culas consideradas como marcadores de senesc\u00eancia e exaust\u00e3o nos linf\u00f3citos T auxiliares, os pesquisadores encontraram altos n\u00edveis de subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias liberadas por essas c\u00e9lulas no soro dos pacientes.<\/p>\n<p>Segundo os cientistas, os dados indicam um processo de hiperativa\u00e7\u00e3o, que leva os linf\u00f3citos ao est\u00e1gio final de diferencia\u00e7\u00e3o celular, resultando em exaust\u00e3o e envelhecimento do sistema imunol\u00f3gico. \u201cTudo isso refor\u00e7a a import\u00e2ncia de terapias anti-inflamat\u00f3rias, voltadas para controlar a resposta imune exagerada, que \u00e9 uma vil\u00e3 na Covid-19\u201d, comenta Morrot.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises contemplaram apenas a fase aguda da infec\u00e7\u00e3o. Portanto, o pesquisador acrescenta que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apontar se haver\u00e1 preju\u00edzo para o sistema imunol\u00f3gico dos pacientes no longo prazo. \u201cA Covid-19 ainda \u00e9 uma doen\u00e7a nova e n\u00e3o sabemos como ser\u00e1 a sua evolu\u00e7\u00e3o. A literatura cient\u00edfica indica que c\u00e9lulas exauridas podem recuperar sua fun\u00e7\u00e3o. J\u00e1 as c\u00e9lulas senescentes podem morrer e ser substitu\u00eddas por c\u00e9lulas jovens. \u00c9 poss\u00edvel que alguns meses ap\u00f3s a doen\u00e7a, os pacientes n\u00e3o apresentem mais essas altera\u00e7\u00f5es, mas isso ter\u00e1 que ser acompanhado\u201d, pondera o imunologista.<\/p>\n<p>O estudo foi financiado pelo programa Inova Fiocruz, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e pelo Fundo para Converg\u00eancia Estrutural do Mercosul (Focem). A pesquisa foi desenvolvida no \u00e2mbito do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Neuroimunomodula\u00e7\u00e3o (INCT-NIM) e da Rede de Pesquisa em Neuroinflama\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casos graves de Covid-19 est\u00e3o associados a um processo de envelhecimento do sistema imunol\u00f3gico e imunodefici\u00eancia aguda. \u00c9 o que aponta um novo estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado na revista cient\u00edfica Journal of Infectious Diseases. 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