{"id":5228,"date":"2021-10-20T07:29:30","date_gmt":"2021-10-20T10:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5228"},"modified":"2021-10-20T07:29:30","modified_gmt":"2021-10-20T10:29:30","slug":"fiocruz-transfere-maior-acervo-de-historia-da-saude-publica-e-da-ciencia-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/fiocruz-transfere-maior-acervo-de-historia-da-saude-publica-e-da-ciencia-do-pais\/","title":{"rendered":"Fiocruz transfere maior acervo de Hist\u00f3ria da Sa\u00fade P\u00fablica e da Ci\u00eancia do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>O mais importante acervo de hist\u00f3ria da sa\u00fade p\u00fablica e da ci\u00eancia do pa\u00eds transitou inc\u00f3lume pela nervosa Avenida Brasil, na zona norte do Rio, ao longo dos \u00faltimos meses. Dentro de cerca de 7 mil volumes de diferentes tipos e tamanhos, numerosas preciosidades: um livro sobre a sa\u00fade dos povos, de 1757; registros da atua\u00e7\u00e3o de Oswaldo Cruz no combate a epidemias; o primeiro esbo\u00e7o do Pavilh\u00e3o Mourisco, sede da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz); fotografias de insetos em Lassance (MG), onde Carlos Chagas descobriu a doen\u00e7a que leva seu nome, em 1909; di\u00e1rios das expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ao Norte e Nordeste, no in\u00edcio do s\u00e9culo 20; estudos sobre HIV\/Aids e biotecnologia.<br \/>\nPatrim\u00f4nio valioso agora est\u00e1 no CDHS, edif\u00edcio projetado para atender especificidades da \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o dos acervos da Fiocruz (foto: Jeferson Mendon\u00e7a)<br \/>\nTransportado em caminh\u00f5es adesivados com o nome da Fiocruz, o acervo, constitu\u00eddo por documentos de diferentes g\u00eaneros que datam do s\u00e9culo 18 aos dias atuais, divididos entre o Departamento de Arquivo e Documenta\u00e7\u00e3o (DAD) e a Biblioteca de Hist\u00f3ria das Ci\u00eancias e da Sa\u00fade (BHCS) da Casa de Oswaldo Cruz (COC\/Fiocruz), deixou o pr\u00e9dio situado na Expans\u00e3o do Campus Manguinhos, junto ao Complexo da Mar\u00e9, e foi para o lado oposto da Avenida Brasil, na \u00e1rea onde a institui\u00e7\u00e3o surgiu, em 1900. Finalmente, est\u00e1 em casa, na edifica\u00e7\u00e3o constru\u00edda especialmente para receb\u00ea-lo: o Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Hist\u00f3ria da Sa\u00fade (CDHS), sede da Casa, respons\u00e1vel pela guarda e difus\u00e3o dessas fontes de informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEmbora tenha sido uma mudan\u00e7a de trajeto curto, percorrido em pouco mais de dez minutos, a hist\u00f3ria da transfer\u00eancia \u00e9 bem mais longa. Come\u00e7a em 2006, quando a ideia de se construir um pr\u00e9dio para abrigar o acervo composto por material arquiv\u00edstico e bibliogr\u00e1fico surge pela primeira vez na Casa. Mais de uma d\u00e9cada depois, em 2018, o CDHS \u00e9 inaugurado, com elementos sustent\u00e1veis, que valoriza a ilumina\u00e7\u00e3o natural e o uso da \u00e1gua das chuvas, e uma estrutura que possibilita ampliar ainda mais o n\u00edvel de seguran\u00e7a na gest\u00e3o do valioso material, composto por raridades, entre as quais, arquivos considerados patrim\u00f4nio da humanidade pela Unesco, como os de Oswaldo Cruz e Carlos Chagas, e negativos de vidro que revelam momentos pioneiros da pesquisa biom\u00e9dica e da medicina experimental no pa\u00eds, com registros dos primeiros anos do Instituto Oswaldo Cruz, que mais tarde viria a se chamar Fiocruz.<br \/>\nO CDHS abriu tamb\u00e9m as portas para uma maior integra\u00e7\u00e3o dos setores da COC\/Fiocruz. Criada h\u00e1 35 anos, em plena redemocratiza\u00e7\u00e3o, quando se tornou mais evidente a import\u00e2ncia da valoriza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do pa\u00eds, ela surgiu para preservar a hist\u00f3ria da Fiocruz, das ci\u00eancias e da sa\u00fade. Aos poucos, a unidade t\u00e9cnico-cient\u00edfica ampliou sua atua\u00e7\u00e3o para as atividades de pesquisa, educa\u00e7\u00e3o, documenta\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da sa\u00fade p\u00fablica e das ci\u00eancias biom\u00e9dicas, realizadas at\u00e9 2018 de forma dispersa, em pr\u00e9dios separados.<br \/>\n\u201c\u00c9 um sonho que se inicia em 2006 e se realiza com a vinda do acervo. Isso vai possibilitar \u00e0 Casa uma experi\u00eancia que nunca vivemos. Agora estamos todos juntos, dentro de um mesmo campus\u201d, destaca seu diretor, Marcos Jos\u00e9 de Ara\u00fajo Pinheiro, ao avaliar que a transfer\u00eancia foi muito bem-sucedida. A mudan\u00e7a foi devidamente registrada, com fotos, v\u00eddeos e documentos, que constituem agora mais uma etapa da mem\u00f3ria da Fiocruz e uma experi\u00eancia importante a ser compartilhada entre as institui\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o cultural. \u201cDesenvolvemos uma metodologia pr\u00f3pria\u201d, ressalta o diretor.<br \/>\nSe uma mudan\u00e7a dom\u00e9stica \u00e9 sin\u00f4nimo de muito trabalho e expectativa, imagine transferir um acervo de import\u00e2ncia \u00edmpar, em conte\u00fado, valor e dimens\u00e3o, que h\u00e1 30 anos se avolumava no pr\u00e9dio da Expans\u00e3o? D\u00e1 para imaginar o tamanho do al\u00edvio e da satisfa\u00e7\u00e3o quando a \u00faltima caixa foi retirada de dentro do caminh\u00e3o e colocada na estante da nova casa. Para cada tipo de acervo havia uma conduta espec\u00edfica na retirada, translado e na recoloca\u00e7\u00e3o. Sensa\u00e7\u00e3o ainda melhor para as equipes envolvidas nos trabalhos, s\u00f3 mesmo quando se constatou que a transfer\u00eancia se deu sem qualquer avaria ao material.<br \/>\n\u201cTransferimos todo esse acervo sem incidente algum. N\u00e3o tivemos uma perda, um rasgo, um dano. Nada, nada, nada\u201d, enfatiza, com orgulho justificado, a vice-diretora de Gest\u00e3o e Desenvolvimento Institucional da Casa de Oswaldo Cruz, Nercilene Monteiro, a Leninha, que est\u00e1 na unidade desde 2006.<br \/>\nPara alcan\u00e7ar tamanho resultado, a Casa fez um longo planejamento, que incluiu a realiza\u00e7\u00e3o de um semin\u00e1rio sobre mudan\u00e7a de acervos, com a participa\u00e7\u00e3o de outras institui\u00e7\u00f5es de guarda que j\u00e1 haviam realizado transfer\u00eancias. Um grupo de trabalho focado na conserva\u00e7\u00e3o preventiva e no gerenciamento de riscos listou os problemas que poderiam vir a deteriorar o acervo. Al\u00e9m disso, a chefe da Biblioteca de Hist\u00f3ria das Ci\u00eancias e da Sa\u00fade (BHCS), Eliane Dias, tra\u00e7ou uma metodologia para a transfer\u00eancia do material da biblioteca, que foi criada em 1991 e re\u00fane atualmente cerca de 80 mil itens, tema de sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, defendida em um dos tr\u00eas programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Casa. O Departamento de Arquivo e Documenta\u00e7\u00e3o (DAD) da Casa tamb\u00e9m elaborou metodologia para os distintos g\u00eaneros de acervo que precisaram ser transportados.<br \/>\nCom os riscos estabelecidos, a etapa seguinte foi elaborar o projeto b\u00e1sico de contrata\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. O documento reuniu todas as cl\u00e1usulas que a Casa considerou necess\u00e1rias para garantir uma transfer\u00eancia satisfat\u00f3ria. \u201cA especificidade que colocamos no termo de contrata\u00e7\u00e3o nos possibilitou chegar a uma das melhores empresas do Brasil quando se trata de transfer\u00eancia de acervo\u201d, avalia Leninha.<br \/>\nRiscos existiam v\u00e1rios: furto da carga, acidente de tr\u00e2nsito na Avenida Brasil, chuvas. Para evitar molhar o acervo, por exemplo, foi estabelecido que a transfer\u00eancia seria realizada antes do per\u00edodo de chuvas da primavera. E, em caso de eventual chuva forte, n\u00e3o haveria translado. Mas foi preciso ir al\u00e9m quando a previs\u00e3o meteorol\u00f3gica de tempo firme n\u00e3o se confirmou. \u201cHav\u00edamos acabado de carregar o caminh\u00e3o quando come\u00e7ou a chover. Lacramos o ve\u00edculo, fomos almo\u00e7ar e a chuva passou. Para n\u00e3o sermos pegos de surpresa depois, alugamos tendas para a entrada da Expans\u00e3o e do CDHS\u201d, relata Eliane. Embora afeitos a lidar com livros e documentos raros, as equipes da biblioteca e do DAD passaram por um treinamento com a equipe da empresa contratada, para dominar determinadas t\u00e9cnicas durante o processo de embalagem do material. Aprenderam, por exemplo, que pegar livros e inseri-los de uma s\u00f3 vez dentro da caixa constitui erro grave. A regra \u00e9 acomod\u00e1-los, um a um, e n\u00e3o deixar qualquer espa\u00e7o vazio entre eles. \u201cAl\u00e9m disso, os livros mais fr\u00e1geis precisam ser embalados em papel de seda antes de serem levados \u00e0 caixa. E na hora de desembalar, o processo \u00e9 o mesmo, ou seja, \u00e9 tirado um a um\u201d, diz a chefe da biblioteca, detalhando pormenores da mudan\u00e7a.<br \/>\nA transfer\u00eancia do acervo foi um momento de muito trabalho, mas tamb\u00e9m de integra\u00e7\u00e3o da unidade, que est\u00e1 h\u00e1 cerca de um ano e meio vivenciado o afastamento determinado pela pandemia de Covid-19. Para dar apoio \u00e0s rotinas necess\u00e1rias \u00e0 mudan\u00e7a, a Casa solicitou uma ajudinha e conseguiu contar com um grupo de volunt\u00e1rios, formado por 33 pessoas. Eles se ocuparam do controle dos corredores e elevadores e acompanharam as atividades de carregamento e descarregamento do caminh\u00e3o, controlando o fluxo.<br \/>\nNa fase de embalagem, os 10 funcion\u00e1rios da biblioteca receberam tamb\u00e9m refor\u00e7os de duas bibliotec\u00e1rias e contaram com apoio de funcion\u00e1rios da empresa. Ainda assim, levaram seis semanas para acondicionar o material adequadamente dentro das caixas. \u201cAchei at\u00e9 que seria mais pesado. Mas planejamos muito essa transfer\u00eancia e ela fluiu de forma tranquila\u201d, avalia Eliane. Agora ela experimenta um misto de alegria e incredulidade. \u201cParecia que esse dia n\u00e3o ia chegar, mas chegou. Eu estou aqui!\u201d, diz, aos risos, bem acomodada no novo espa\u00e7o.<br \/>\nEmbora o material j\u00e1 esteja todo organizado, ainda \u00e9 preciso aguardar o retorno ao trabalho presencial, suspenso em decorr\u00eancia da pandemia de Covid-19, para que os usu\u00e1rios possam acessar, in loco, obras cl\u00e1ssicas das ci\u00eancias biom\u00e9dicas e da sa\u00fade p\u00fablica, cole\u00e7\u00f5es particulares dos primeiros cientistas de Manguinhos e de outros not\u00e1veis pesquisadores, como Jos\u00e9 Reis, Le\u00f4nidas e Maria Jos\u00e9 Deane e Oracy Nogueira, com atua\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, em \u00e1reas como Sociologia, Hist\u00f3ria e Filosofia da Ci\u00eancia, al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e editorial da pr\u00f3pria Casa de Oswaldo Cruz, entre in\u00fameros outros itens, como livros raros, cartazes das pioneiras campanhas de vacina\u00e7\u00e3o contra a poliomielite e depoimentos sobre a erradica\u00e7\u00e3o da var\u00edola.<br \/>\nCompromisso com a preserva\u00e7\u00e3o<br \/>\nChefe do Departamento de Arquivo e Documenta\u00e7\u00e3o (DAD) da Casa, Ana Roberta Tartaglia explica que, ao contr\u00e1rio do acervo bibliogr\u00e1fico, constitu\u00eddo majoritariamente por itens em suporte de papel, o acervo arquiv\u00edstico \u00e9 composto por itens com suportes materiais e g\u00eaneros documentais muito variados. H\u00e1, por exemplo, documentos textuais, cartogr\u00e1ficos, iconogr\u00e1ficos, sonoros, filmogr\u00e1ficos e audiovisuais. Segundo ela, a transfer\u00eancia foi planejada para, logo ap\u00f3s o transporte, o material ser desembalado e colocado em seu devido lugar, de acordo com os planos de ocupa\u00e7\u00e3o desenvolvidos pelo Grupo de Mudan\u00e7a DAD. \u201cSem esse planejamento pr\u00e9vio e exaustivo, n\u00e3o seria poss\u00edvel ter hoje o acervo devidamente organizado. Agora, iremos iniciar a revis\u00e3o das planilhas de localiza\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica de cada \u00e1rea de guarda, bem como as condi\u00e7\u00f5es gerais de conserva\u00e7\u00e3o do acervo, para ter dom\u00ednio da organiza\u00e7\u00e3o da nova casa\u201d, diz.<br \/>\nPanor\u00e2mica da nova sala de consultas. Duas lumin\u00e1rias pendentes iluminam a primeira \u00e1rea, com o p\u00e9 direito mais alto. Outras lumin\u00e1rias em trilhos circundam a sala, que cont\u00e9m mesas e cadeiras para consulta. Ao fundo, com o p\u00e9 direito mais alto, pessoas circulam na \u00e1rea onde ficam o balc\u00e3o e algumas prateleiras.<br \/>\nDesde 2015 na unidade e com experi\u00eancia em outros \u00f3rg\u00e3os, Tartaglia avalia que a Casa ocupa \u201cum lugar diferenciado\u201d entre as institui\u00e7\u00f5es do g\u00eanero. \u201c\u00c9 muito especial termos constru\u00eddo um pr\u00e9dio voltado para a preserva\u00e7\u00e3o do acervo e que atende \u00e0s exig\u00eancias de conserva\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o s\u00e3o poucas. V\u00e3o desde o clima e a ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 pintura do mobili\u00e1rio e o acondicionamento. Sempre houve um esfor\u00e7o para melhorar as condi\u00e7\u00f5es do acervo. Mudar para esse pr\u00e9dio chancela esse compromisso que a Casa sempre teve com a preserva\u00e7\u00e3o\u201d, considera.  e fato, acervos precisam de condi\u00e7\u00f5es de guarda muito espec\u00edficas, em ambientes com temperatura e umidade adequadas e um sistema efetivo de detec\u00e7\u00e3o e combate a inc\u00eandios a g\u00e1s inerte. Para atender a essas exig\u00eancias, a Casa levou um tempo ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o do CDHS at\u00e9 realizar a transfer\u00eancia, explica a vice-diretora de Desenvolvimento e Gest\u00e3o Institucional. Medi\u00e7\u00f5es nos sistemas de ar-condicionado e de desumidifica\u00e7\u00e3o nos dep\u00f3sitos foram feitas sistematicamente durante esse per\u00edodo com revis\u00e3o de projeto e obras de interven\u00e7\u00e3o at\u00e9 que se garantissem os padr\u00f5es necess\u00e1rios definidos pela \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o da COC\/Fiocruz.<br \/>\nSe hoje o acervo sob a guarda da Casa se constitui como um conjunto de valor inestim\u00e1vel, fundamental para se conhecer a hist\u00f3ria da sa\u00fade do Brasil, h\u00e1 que se prestar o devido reconhecimento aos pioneiros da unidade. Quando iniciaram, os conhecimentos na \u00e1rea ainda engatinhavam no pa\u00eds. N\u00e3o existia uma metodologia de organiza\u00e7\u00e3o de documentos e nem ambientes adequados para preserva\u00e7\u00e3o do material. Mas sobrava disposi\u00e7\u00e3o e interesse em manter viva a mem\u00f3ria. Os negativos de vidro que hoje constituem patrim\u00f4nio da humanidade e est\u00e3o no CDHS, na d\u00e9cada de 1980, passaram por uma mudan\u00e7a bem diferente da atual. Foram resgatados de um setor da Fiocruz e levados para o Pavilh\u00e3o Mourisco em uma Bras\u00edlia j\u00e1 rodada, por iniciativa de intr\u00e9pidos servidores da rec\u00e9m-criada Casa de Oswaldo Cruz, como Wanda Weltman e Fernando Pires.<br \/>\n\u201cOs fundadores da Casa de Oswaldo Cruz foram muito exitosos nessa tarefa. O esfor\u00e7o deles foi imenso. Era quase um garimpo de documentos e objetos extremamente importantes para a hist\u00f3ria da ci\u00eancia brasileira e da sa\u00fade p\u00fablica. Eles traziam no carro deles, do jeito que tivessem que trazer, pois n\u00e3o existiam as condi\u00e7\u00f5es, os recursos necess\u00e1rios. \u00c0 \u00e9poca, a pr\u00f3pria Fiocruz n\u00e3o tinha essa perspectiva da mem\u00f3ria. Eles tiraram tudo isso do ch\u00e3o e \u00e9 gra\u00e7as a essas pessoas que hoje temos todo esse material\u201d, frisa Leninha, ressaltando que a expertise constru\u00edda ao longo dos anos transformou a Casa em uma refer\u00eancia nacional e internacional para o campo da preserva\u00e7\u00e3o de acervos.<br \/>\nA Casa acaba de encerrar uma etapa, que tamb\u00e9m exigiu muitos esfor\u00e7os para se tornar vi\u00e1vel pol\u00edtica, t\u00e9cnica e financeiramente, na opini\u00e3o do seu diretor, e se prepara para iniciar outra. Com a sede agora habitada pelos acervos, a expectativa \u00e9 pelo retorno \u00e0s atividades presenciais, quando a pandemia permitir. \u201cJ\u00e1 enxergo isso aqui com v\u00e1rios alunos transitando, as pessoas convivendo e trocando ideias. O encontro casual tem um potencial que \u00e9 indescrit\u00edvel. Por mais que tente expressar, acho que vai ser aqu\u00e9m da realidade\u201d, diz Pinheiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais importante acervo de hist\u00f3ria da sa\u00fade p\u00fablica e da ci\u00eancia do pa\u00eds transitou inc\u00f3lume pela nervosa Avenida Brasil, na zona norte do Rio, ao longo dos \u00faltimos meses. 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