{"id":5200,"date":"2021-10-15T07:31:29","date_gmt":"2021-10-15T10:31:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5200"},"modified":"2021-10-15T07:31:29","modified_gmt":"2021-10-15T10:31:29","slug":"cesariana-sem-indicacao-pode-aumentar-risco-de-obito-na-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/cesariana-sem-indicacao-pode-aumentar-risco-de-obito-na-infancia\/","title":{"rendered":"Cesariana sem indica\u00e7\u00e3o pode aumentar risco de \u00f3bito na inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo liderado pelo Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia) sugere que partos ces\u00e1reos podem estar associados ao maior risco de mortalidade na inf\u00e2ncia, com exce\u00e7\u00e3o dos casos que uma indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica seja clara sobre o procedimento cir\u00fargico conhecido popularmente como &#8220;cesariana&#8221;.<br \/>\nUtilizando dados coletados e cedidos pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade sobre mais de 17 milh\u00f5es de nascimentos ocorridos no Brasil entre 2012 e 2018, os pesquisadores do Brasil e do Reino Unido observaram que, no grupo com baixa indica\u00e7\u00e3o de cesariana, este procedimento foi associado a um risco aumentado em 25% na mortalidade na inf\u00e2ncia &#8211; at\u00e9 cinco anos &#8211; na compara\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as que nasceram de parto vaginal.<br \/>\nPor outro lado, nos nascimentos de crian\u00e7as com indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica este procedimento foi associado com redu\u00e7\u00e3o dos \u00f3bitos, evidenciando a import\u00e2ncia da ces\u00e1rea quando devidamente indicada por um m\u00e9dico.<br \/>\nEstas descobertas foram publicadas na revista cient\u00edfica internacional PLOS Medicine (EUA). O estudo foi conduzido pelo em parceria com a London School of Hygiene &#038; Tropical Medicine (LSHTM), sob a lideran\u00e7a da epidemiologista Enny Paix\u00e3o, pesquisadora associada ao Cidacs e professora assistente da LSHTM.<br \/>\nMetodologia do novo estudo<br \/>\nA an\u00e1lise partiu da primeira hip\u00f3tese que em grupos com baixa indica\u00e7\u00e3o do ces\u00e1reo, esse procedimento estaria associado a maior mortalidade infantil. J\u00e1 em grupos com uma indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, a segunda hip\u00f3tese \u00e9 de que a cirurgia provavelmente melhoraria as chances de sobreviv\u00eancia na inf\u00e2ncia, ou seja, at\u00e9 cinco anos de vida.<br \/>\nPara separar esses grupos, todos os nascimentos foram classificados utilizando o sistema de classifica\u00e7\u00e3o recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade &#8211; grupos de Robson, uma classifica\u00e7\u00e3o utilizada por obstetras para relatar a rotina em todas as maternidades registradas no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Nascidos Vivos (Sinasc) do Brasil.<br \/>\nEm seguida, foram identificadas as taxas relativas de mortalidade nos primeiros cinco anos de vida, comparando primeiro parto ces\u00e1reo com o parto vaginal e depois comparando os partos ces\u00e1reos eletivos e n\u00e3o eletivos.<br \/>\nRecomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica da cesariana<br \/>\nO estudo utilizou do sistema de classifica\u00e7\u00e3o de Robson, uma escala que agrupa as mulheres em uma das dez categorias mutuamente exclusivas, com base em seis caracter\u00edsticas obst\u00e9tricas.<br \/>\nNos grupos de Robson 1 a 4, onde se espera baixas taxas de propens\u00e3o ces\u00e1rea, este procedimento cir\u00fargico foi associado a um aumento de 25% na taxa de mortalidade na inf\u00e2ncia em compara\u00e7\u00e3o com os nascidos por parto vaginal, o que comprova a primeira hip\u00f3tese.<br \/>\nEm casos de m\u00e3es com uma ces\u00e1rea anterior (grupo 5), n\u00e3o houve diferen\u00e7a na mortalidade infantil entre aqueles nascidos por via cesariana em compara\u00e7\u00e3o com o parto vaginal.<br \/>\nPara os grupos 6 a 10 (beb\u00eas com apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o cef\u00e1lica, gemelares e prematuros) o risco de morte se paridos pelo procedimento cir\u00fargico \u00e9 reduzido em compara\u00e7\u00e3o com o parto normal, o que tamb\u00e9m comprova a segunda hip\u00f3tese.<br \/>\nRealidade e expectativa no Brasil<br \/>\nPara a epidemiologista e l\u00edder da pesquisa, Enny Paix\u00e3o, este estudo aponta para necessidade de novas pesquisas que somadas podem ajudar as gr\u00e1vidas, seus familiares e profissionais de sa\u00fade a tomarem decis\u00f5es informadas sobre o tipo de parto ideal junto a um obstetra, com base cient\u00edfica do grupos de Robson.<br \/>\nApesar da taxa recomendada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) ser de 15%, a especialista alerta que o Brasil \u00e9 o segundo no ranking das cesarianas. \u201cTemos uma das taxas mais altas do mundo (56%) e na rede privada de sa\u00fade essa taxa atinge a marca de quase nove entre dez partos (89%)&#8221;, alerta Enny.<br \/>\nConsiderando que a cesariana \u00e9 um procedimento cir\u00fargico muito recorrido por conveni\u00eancia das m\u00e3es, todos os riscos para o beb\u00ea e a gestante precisam ser levados em conta pelo m\u00e9dico obstetra. Por\u00e9m, especialistas alertam que a l\u00f3gica da sa\u00fade suplementar, diferente da sa\u00fade p\u00fablica, vem refor\u00e7ando uma \u201ccultura cesariana\u201d e a posi\u00e7\u00e3o do Brasil como vice-l\u00edder no ranking mundial.<br \/>\nEm muitos pa\u00edses, as taxas de parto ces\u00e1reo t\u00eam aumentado, por\u00e9m as pesquisas ainda n\u00e3o chegaram a um consenso cient\u00edfico se este aumento tem sido impulsionado pela prefer\u00eancia materna ou por indica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. E mais importante, ainda n\u00e3o se tem clareza sobre o impacto que esse procedimento pode ter na sa\u00fade da crian\u00e7a.<br \/>\n\u201c\u00c9 necess\u00e1rio que sejam realizadas novas investiga\u00e7\u00f5es na \u00e1rea considerando os ambientes de baixa e m\u00e9dia renda para confirmar os resultados. Se confirmada, as interven\u00e7\u00f5es dirigidas \u00e0s gr\u00e1vidas, profissionais de sa\u00fade e sistemas de sa\u00fade do Brasil devem ser refor\u00e7adas pelas pol\u00edticas p\u00fablicas de Sa\u00fade para reduzir as taxas de parto ces\u00e1reo n\u00e3o indicado e assim os riscos de mortalidade em beb\u00eas\u201d, recomenda Enny.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo liderado pelo Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia) sugere que partos ces\u00e1reos podem estar associados ao maior risco de mortalidade na inf\u00e2ncia, com exce\u00e7\u00e3o dos casos que uma indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica seja clara sobre o procedimento cir\u00fargico conhecido popularmente como &#8220;cesariana&#8221;. 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