{"id":5171,"date":"2021-10-12T16:46:05","date_gmt":"2021-10-12T19:46:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5171"},"modified":"2021-10-12T16:46:05","modified_gmt":"2021-10-12T19:46:05","slug":"vacina-contra-covid-19-para-criancas-no-brasil-pode-ficar-para-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/vacina-contra-covid-19-para-criancas-no-brasil-pode-ficar-para-2022\/","title":{"rendered":"Vacina contra covid-19 para crian\u00e7as no Brasil pode ficar para 2022"},"content":{"rendered":"<p>De acordo com o governo federal, o Brasil tem hoje mais de 90% da popula\u00e7\u00e3o adulta parcialmente vacinada contra a covid-19. Com quase nove meses desde o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o contra o v\u00edrus, a imuniza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds tamb\u00e9m chegou aos adolescentes. O plano de imuniza\u00e7\u00e3o, entretanto, ainda n\u00e3o abrange as crian\u00e7as, que continuam \u00e0 espera de chegar sua vez. A pergunta \u00e9: ainda vai demorar muito?<br \/>\nEm alguns pa\u00edses pr\u00f3ximos ao Brasil a espera dos pequenos j\u00e1 acabou. O Chile, por exemplo, deu in\u00edcio \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o com a Coronavac em crian\u00e7as entre 6 e 12 anos na primeira quinzena de setembro. A vez chegou quatro meses ap\u00f3s a faixa et\u00e1ria de 12 a 17 anos, que teve permiss\u00e3o para vacinar com o imunizante da Pfizer em maio.<br \/>\nA Argentina tamb\u00e9m demonstra agilidade no plano de vacina\u00e7\u00e3o contra o coronav\u00edrus e j\u00e1 chegou \u00e0 menor faixa: o governo do pa\u00eds anunciou, no \u00faltimo dia 1\u00b0, a aprova\u00e7\u00e3o do uso da Sinopharm, vacina chinesa, na imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de 3 a 11 anos. Os hermanos j\u00e1 vacinam adolescentes de 12 a 17 anos contra o v\u00edrus com o imunizante da Moderna desde o in\u00edcio de agosto.<br \/>\nNos Estados Unidos, a Pfizer pediu, na \u00faltima quinta-feira (7\/10), autoriza\u00e7\u00e3o para o uso emergencial da vacina contra a covid em crian\u00e7as de 5 a 11 anos. Ao FDA, \u00f3rg\u00e3o regulador no pa\u00eds, a empresa farmac\u00eautica assegurou que o imunizante \u00e9 seguro \u00e0 faixa et\u00e1ria. &#8220;Desde julho, casos pedi\u00e1tricos de covid-19 aumentaram em cerca de 240% nos Estados Unidos, enfatizando a necessidade de sa\u00fade p\u00fablica de vacina\u00e7\u00e3o&#8221;, justificou o presidente executivo da Pfizer, Albert Bourla, em comunicado \u00e0 imprensa.<br \/>\nEm estudo divulgado em 20 de setembro, a Pfizer e a BioNTech afirmaram que a vacina teve uma boa resposta em crian\u00e7as pequenas nas fases 2 e 3 do ensaio cl\u00ednico feito, com resultado equivalente a pessoas de 16 a 25 anos. O estudo foi realizado com 4,5 mil crian\u00e7as entre seis meses e 11 anos nos Estados Unidos, Finl\u00e2ndia, Pol\u00f4nia e Espanha. Os resultados da faixa et\u00e1ria de seis meses at\u00e9 5 anos devem ser divulgados ainda neste ano.<br \/>\nNo Brasil, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) autorizou o uso da Pfizer em adolescentes acima dos 12 \u2014 com e sem comorbidade \u2014 em junho. Mas, na pr\u00e1tica, a faixa et\u00e1ria s\u00f3 come\u00e7ou a ser vacinada em agosto. At\u00e9 o momento, o governo federal n\u00e3o divulgou previs\u00e3o oficial de data para vacina\u00e7\u00e3o em pessoas com idade menor que esta faixa et\u00e1ria.<br \/>\nO que falta, ent\u00e3o?<br \/>\nO principal obst\u00e1culo, que impede a imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as daqui, \u00e9 a falta de autoriza\u00e7\u00e3o, cedida pela Anvisa. Um pedido para uso da Coronavac em 3 a 17 anos foi feito pelo Instituto Butantan em agosto \u2014 entretanto, rejeitado. Segundo a reguladora, a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o apresentou todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o aval, que s\u00f3 pode ser dado mediante documenta\u00e7\u00f5es que comprovem a efic\u00e1cia e seguran\u00e7a do imunizante para a faixa et\u00e1ria.<br \/>\n\u201cOs dados de imunogenicidade deixam incertezas sobre a dura\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o conferida pelo imunizante\u201d, informou a Anvisa em nota. O Butantan dever\u00e1 submeter uma nova solicita\u00e7\u00e3o com mais informa\u00e7\u00f5es \u00e0 ag\u00eancia.<br \/>\nAo Correio, a Anvisa apontou, tamb\u00e9m, que as pesquisas feitas pelo instituto cient\u00edfico em crian\u00e7as foram realizadas com um baixo n\u00famero de participantes, o que comprometeu os resultados: \u201cOs estudos apresentados foram conduzidos com n\u00famero limitado de pessoas que estatisticamente n\u00e3o permitem concluir sobre a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia espec\u00edfica para este grupo et\u00e1rio.\u201d<br \/>\nE completou: \u201cCom as informa\u00e7\u00f5es apresentadas pelo Butantan no pedido em quest\u00e3o, n\u00e3o foi poss\u00edvel concluir sobre a efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a da vacina nessa faixa et\u00e1ria. Os dados de imunogenicidade deixam incertezas sobre a dura\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o conferida pelo imunizante.\u201d<br \/>\nCom os bons resultados obtidos, a expectativa \u00e9 de que a Pfizer e a BioNTech tamb\u00e9m pe\u00e7am autoriza\u00e7\u00e3o da Anvisa para vacinar crian\u00e7as no Brasil. Entretanto, at\u00e9 o momento, a reguladora do pa\u00eds informou que nenhuma solicita\u00e7\u00e3o foi feita pelos laborat\u00f3rios. \u201cA Anvisa s\u00f3 pode iniciar sua avalia\u00e7\u00e3o a partir do momento em que recebe o pedido e dados obrigat\u00f3rios\u201d, ressaltou.<br \/>\n\u201cA solicita\u00e7\u00e3o para inclus\u00e3o de nova faixa et\u00e1ria deve ser feita pelo laborat\u00f3rio farmac\u00eautico. Para isso, devem apresentar estudos e evid\u00eancias cient\u00edficas que sustentem a indica\u00e7\u00e3o em termos de seguran\u00e7a e efic\u00e1cia para a nova faixa et\u00e1ria\u201d, salientou a ag\u00eancia.<br \/>\nExpectativa para 2022<br \/>\nPara o m\u00e9dico infectologista do Hospital das For\u00e7as Armadas (HFA), Emerson Luiz, as chances de crian\u00e7as entre 5 e 11 anos come\u00e7arem a ser vacinadas no Brasil, ainda este ano, s\u00e3o muito baixas. Segundo o especialista, as doses est\u00e3o sendo priorizadas para outros p\u00fablicos no momento: \u201cDificilmente essa faixa et\u00e1ria [entre 5 e 11 anos] conseguir\u00e1 ser vacinada contra o v\u00edrus em 2021. Ainda estamos utilizando a vacina da Pfizer em adolescentes, na dose de refor\u00e7o, em idosos, em imunossuprimidos e em profissionais de sa\u00fade. Al\u00e9m daqueles que j\u00e1 tomaram a primeira dose e necessitam tomar a segunda \u2014 que muitos lugares est\u00e3o antecipando.\u201d<br \/>\nA previs\u00e3o feita pelo infectologista est\u00e1 de acordo com a expectativa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Em coletiva de imprensa, na \u00faltima sexta (8\/10), o ministro da Sa\u00fade, Marcelo Queiroga, informou que o \u00f3rg\u00e3o planeja vacinar crian\u00e7as pequenas contra a covid em 2022, mas depende da autoriza\u00e7\u00e3o da Anvisa.<br \/>\nDe acordo com o ministro, na campanha de imuniza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo ano ser\u00e3o priorizadas compras da Pfizer e da Astrazeneca, j\u00e1 que s\u00e3o as \u00fanicas com aval da Anvisa para uso definitivo. A previs\u00e3o \u00e9 que sejam utilizadas cerca de 340 milh\u00f5es de doses para todo o p\u00fablico brasileiro.<br \/>\nEm resposta ao Correio, o Minist\u00e9rio refor\u00e7ou o discurso de Queiroga. \u201cDependemos da autoriza\u00e7\u00e3o da Anvisa para tomarmos provid\u00eancias sobre os assuntos\u201d.<br \/>\nPelas crian\u00e7as e pelo coletivo<br \/>\nM\u00e9dica intensivista atuante no hospital Santa Marta, Adele Vasconcelos ressalta que as crian\u00e7as s\u00e3o grandes transmissores da covid-19, e que a vacina\u00e7\u00e3o desse p\u00fablico \u00e9 importante para frear o avan\u00e7o do v\u00edrus em todas as idades: \u201cA quest\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as \u00e9 uma quest\u00e3o epidemiol\u00f3gica: evitar a transmiss\u00e3o que ainda est\u00e1 muito alta. A transmissividade ainda est\u00e1 alta mesmo com a vacina\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 vacinar as crian\u00e7as, que s\u00e3o os maiores transmissores.\u201d<br \/>\nSegundo a intensivista, casos de coronav\u00edrus graves em crian\u00e7as s\u00e3o mais raros. \u201cAs crian\u00e7as geralmente s\u00e3o assintom\u00e1ticas\u201d, afirma. Os casos existentes podem ser minimizados com os imunizantes, que, para a m\u00e9dica, n\u00e3o apresentam riscos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 falta de seguran\u00e7a. \u201cO que precisamos melhorar ainda \u00e9 o potencial que essas vacinas t\u00eam para o controle da transmissividade.\u201d<br \/>\nJ\u00e1 a infectologista Val\u00e9ria Paes, do hospital S\u00edrio Liban\u00eas, diz ter uma expectativa muito grande para a faixa et\u00e1ria de 5 a 11 anos. Ela salienta que crian\u00e7as pequenas t\u00eam mais dificuldade de entender a import\u00e2ncia do cumprimento das medidas de biosseguran\u00e7a: \u201cEstamos falando neste momento sobre volta \u00e0s aulas e conter a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, nesse contexto \u00e9 muito dif\u00edcil principalmente por serem crian\u00e7as.\u201d Para a m\u00e9dica, a imuniza\u00e7\u00e3o dos pequenos \u201c\u00e9 importante tanto para a prote\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as quanto para a prote\u00e7\u00e3o do coletivo\u201d.<br \/>\nPaes tamb\u00e9m acredita que os imunizantes ser\u00e3o seguros para crian\u00e7as com menos de 12 anos, j\u00e1 que foram poucos os epis\u00f3dios de rea\u00e7\u00f5es graves aos imunizantes at\u00e9 o momento. \u201cMesmo nos adultos e adolescentes, os efeitos colaterais ocorreram, mas foram raros. Ocorreu uma inflama\u00e7\u00e3o no m\u00fasculo card\u00edaco, a miocardite, mas, mesmo nestes casos, houve uma evolu\u00e7\u00e3o passageira e benigna.\u201d Para a especialista, as crian\u00e7as tamb\u00e9m devem apresentar bons resultados: \u201cEu acredito que isso n\u00e3o vai atrapalhar a vacina\u00e7\u00e3o na faixa et\u00e1ria infantil. N\u00e3o deixamos de vacinar os adolescentes e adultos por causa dos efeitos, os benef\u00edcios foram maiores que os riscos.\u201d<br \/>\nInsufici\u00eancia de doses<br \/>\nMesmo com a possibilidade de autoriza\u00e7\u00e3o da Anvisa para uso de imunizantes em crian\u00e7as ainda este ano, a falta de doses em alguns lugares do Brasil pode ser um problema. \u00c9 o que est\u00e1 acontecendo, por exemplo, no Distrito Federal, com a vacina\u00e7\u00e3o de adolescentes de 12 a 17 anos.<br \/>\nA capital brasileira, que abriu a campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 para a faixa et\u00e1ria em setembro, j\u00e1 n\u00e3o tem mais estoque da Pfizer e est\u00e3o sendo administradas somente doses que sobraram nas unidades de sa\u00fade. A informa\u00e7\u00e3o foi confirmada pela Secretaria de Estado de Sa\u00fade (SES\/DF), em coletiva de imprensa na \u00faltima quarta-feira (6\/10). As regi\u00f5es administrativas de Brazl\u00e2ndia e Ceil\u00e2ndia s\u00e3o as mais prejudicadas pela falta de imunizantes e chegaram a suspender as aplica\u00e7\u00f5es da primeira dose aos menores de idade.<br \/>\n\u201cN\u00e3o h\u00e1 mais vacinas da Pfizer na Rede de Frio para primeira dose do grupo de 12 a 17 anos. Entretanto, a vacina\u00e7\u00e3o dos adolescentes de 12 a 17 anos acontece normalmente com as doses que j\u00e1 foram distribu\u00eddas aos pontos de vacina\u00e7\u00e3o\u201d, disse a SES\/DF \u00e0 reportagem. \u201cAt\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o da chegada de novas doses de vacina e de vacina\u00e7\u00e3o para pessoas com menos de 12 anos.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo sem doses, o DF j\u00e1 conseguiu imunizar parcialmente 70,5% dos adolescentes contra a covid-19. A expectativa \u00e9 de que, quando come\u00e7ar a ser adotada, a vacina\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as pequenas tamb\u00e9m avance r\u00e1pido. Por enquanto, a Secretaria de Sa\u00fade recomenda, tanto aos pais quanto \u00e0s crian\u00e7as, que realmente sigam as medidas de prote\u00e7\u00e3o individual j\u00e1 amplamente divulgadas: uso de m\u00e1scara (boca e nariz), higieniza\u00e7\u00e3o frequente das m\u00e3os (\u00e1gua e sab\u00e3o ou \u00e1lcool 70%) e evitar aglomera\u00e7\u00f5es (distanciamento m\u00ednimo de 2m entre as pessoas).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com o governo federal, o Brasil tem hoje mais de 90% da popula\u00e7\u00e3o adulta parcialmente vacinada contra a covid-19. Com quase nove meses desde o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o contra o v\u00edrus, a imuniza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds tamb\u00e9m chegou aos adolescentes. 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