{"id":5137,"date":"2021-10-07T22:19:20","date_gmt":"2021-10-08T01:19:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5137"},"modified":"2021-10-07T22:19:20","modified_gmt":"2021-10-08T01:19:20","slug":"covid-19-pesquisa-analisa-as-condicoes-de-trabalho-e-saude-dos-cuidadores-de-idosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/covid-19-pesquisa-analisa-as-condicoes-de-trabalho-e-saude-dos-cuidadores-de-idosos\/","title":{"rendered":"Covid-19: pesquisa analisa as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade dos cuidadores de idosos"},"content":{"rendered":"<p>Os pesquisadores Daniel Groisman, da Escola Polit\u00e9cnica de Sa\u00fade Joaquim Ven\u00e2ncio (EPSJV\/Fiocruz), e Dalia Romero, do Instituto de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade (Icict\/Fiocruz), realizaram um webin\u00e1rio para apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados da Cuida-Covid: Pesquisa nacional sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade das pessoas cuidadoras de idosos na pandemia, no dia 30 de setembro. O evento foi transmitido pelo canal da EPSJV no Youtube (abaixo), na semana em que se comemora o Dia Internacional do Idoso (1\u00ba de outubro), data em que foi aprovada a Lei 10.741\/2003, que institui o Estatuto do Idoso no Brasil. O relat\u00f3rio da pesquisa pode ser acessado neste link.<br \/>\nA pesquisa faz parte do projeto Cuidando de quem cuida: educa\u00e7\u00e3o continuada e avalia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade de cuidadores de pessoas idosas em tempos de Covid-19, aprovado, em maio de 2020, no edital Ideias e Produtos Inovadores &#8211; Covid-19 &#8211; Encomendas Estrat\u00e9gicas, do Programa Fiocruz de Fomento \u00e0 Inova\u00e7\u00e3o (Inova Fiocruz).<br \/>\n<iframe title=\"Pesquisa nacional sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade das pessoas cuidadoras de idosos\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZSXPifEZlb4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\nPrincipais resultados<\/p>\n<p>Segundo Groisman,  que coordenou o estudo junto com a pesquisadora Dalia Romero, a iniciativa se prop\u00f4s a investigar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade das pessoas cuidadoras de idosos, abrangendo tanto o cuidado realizado por familiares quanto aquele exercido de forma remunerada, por terceiros. A pesquisa coletou informa\u00e7\u00f5es sobre o perfil sociodemogr\u00e1fico, situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, acesso a atendimento m\u00e9dico durante a pandemia e caracter\u00edsticas da rotina de cuidados no per\u00edodo. <\/p>\n<p>A coleta de dados foi realizada atrav\u00e9s de question\u00e1rio online de autopreenchimento, de agosto a novembro de 2020. Ao todo, participaram do estudo 5.786 pessoas. Ap\u00f3s o tratamento do banco de dados, foram selecionadas para pesquisa 4.820 pessoas cuidadoras, das quais 51,2% eram cuidadoras n\u00e3o remuneradas ou familiares e 48,8% eram cuidadoras remuneradas de pessoa idosa. No webin\u00e1rio, os resultados referentes \u00e0s cuidadoras familiares foram apresentados pela Profa. Dalia e os referentes \u00e0s cuidadoras remuneradas, pelo Prof. Daniel. <\/p>\n<p>O panorama captado pelo estudo retrata um aumento das desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe social, que perpassam o trabalho de cuidados, no per\u00edodo da pandemia. De acordo com Daniel, 92% das pessoas que cuidam s\u00e3o mulheres. Isso, na vis\u00e3o dele, \u00e9 um retrato da desigualdade de g\u00eanero, j\u00e1 que a responsabilidade pelo cuidado das pessoas idosas est\u00e1 sendo depositada sobre a parcela feminina da popula\u00e7\u00e3o. \u201cNo caso das cuidadoras familiares, esse trabalho \u00e9 feito de forma n\u00e3o remunerada. Elas n\u00e3o t\u00eam esse trabalho nem contabilizado, nem reconhecido pela sociedade e pelo Estado. \u00c9 como se elas fossem uma parcela invisibilizada da popula\u00e7\u00e3o\u201d, aponta o coordenador. <\/p>\n<p>Outro aspecto apontado pelo estudo  \u00e9 que se trata de um contingente envelhecido, em sua maioria, com idades superiores a 50 anos, sendo que um em cada seis cuidadoras familiares s\u00e3o idosas. Al\u00e9m disso, uma em cada tr\u00eas n\u00e3o recebe ajuda de mais ningu\u00e9m para esse cuidado e somente 16,7% possui uma cuidadora contratada. \u201cOu seja, s\u00e3o idosos cuidando de outros idosos\u201d, explica Daniel.<\/p>\n<p>Cuida-Covid: pesquisa nacional sobre as pessoas cuidadoras de idosos na pandemia de Covid&#8211;19<\/p>\n<p>O tempo dedicado \u00e0s atividades de cuidado tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o 73,6% das cuidadoras familiares atuam nessa fun\u00e7\u00e3o todos os dias da semana, com jornadas de oito a 12 ou mais horas. \u201cNas perguntas mais espec\u00edficas sobre os efeitos da pandemia, 77,5% das cuidadoras familiares disseram que o tempo de dedica\u00e7\u00e3o aos cuidados aumentou e 75% responderam que a quantidade de esfor\u00e7o tamb\u00e9m aumentou nesse per\u00edodo\u201d, afirma, explicando que isso se reflete na sa\u00fade f\u00edsica e mental dessas mulheres. \u201cQuase que uma em cada duas tem algum problema cr\u00f4nico de coluna que se agravou na pandemia. E os sentimentos de isolamento, tristeza e ansiedade por parte dessas cuidadoras familiares tamb\u00e9m foram muito aumentados\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cuidadoras remuneradas, Daniel destaca que um dado que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas que s\u00e3o hist\u00f3ricas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico no Brasil. \u201c\u00c9 uma atividade realizada, em 60% dos casos, por pessoas negras, de baixa renda e com menor acesso a escolariza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o grau de informalidade no trabalho \u00e9 muito grande. Somente uma a cada tr\u00eas trabalha com a carteira assinada e 88% recebem menos que dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos\u201d, apontou. <\/p>\n<p>De acordo com Daniel, muitas cuidadoras relataram que precisam acumular a realiza\u00e7\u00e3o de tarefas de cuidado com a pessoa, conjuntamente com o cuidado com a casa, o que \u00e9 um elemento de evidente sobrecarga e sobreposi\u00e7\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, a dura\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, segundo Daniel, \u00e9 muito extensa. \u201cSete em cada dez cuidadoras remuneradas t\u00eam jornadas de 12 a 24 horas di\u00e1rias, um n\u00famero elevado delas n\u00e3o t\u00eam intervalo de descanso entre um dia de trabalho e outro, como prev\u00ea a legisla\u00e7\u00e3o. E acrescentou: \u201c30,8% relataram que o tempo de dedica\u00e7\u00e3o aumentou na pandemia e 58% informaram que a quantidade de esfor\u00e7o dedicado aos cuidados tamb\u00e9m teve um enorme aumento. Assim como as cuidadoras familiares, 30% das remuneradas relataram que tem problemas cr\u00f4nicos de coluna e aumento de sentimentos como ansiedade e solid\u00e3o durante a pandemia\u201d.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do estudo apontam para a necessidade de fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a popula\u00e7\u00e3o idosa e suas cuidadoras e cuidadores, nos seus diferentes \u00e2mbitos. Para Daniel, o estudo revela um pouco dos impactos da pandemia para a popula\u00e7\u00e3o idosa, porque aquilo que afeta quem cuida, afeta tamb\u00e9m quem \u00e9 cuidado. \u201cA gente tem que se perguntar por que n\u00e3o temos no pa\u00eds pol\u00edticas mais robustas de cuidado \u00e0 pessoa idosa, para que essa responsabilidade n\u00e3o fique inteiramente depositada nas fam\u00edlias e nos indiv\u00edduos, de forma a prevenir essas situa\u00e7\u00f5es de sobrecarga, exaust\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o do trabalho, danos para sa\u00fade e desigualdades\u201d, pontua. <\/p>\n<p>O objetivo agora, segundo Daniel, \u00e9 que os dados do estudo sirvam para que se planejem a\u00e7\u00f5es, principalmente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a quest\u00e3o do cuidado. \u201cQue possamos ser uma sociedade cuidadora e comprometida com a redu\u00e7\u00e3o das injusti\u00e7as e desigualdades\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Cuidando de quem cuida<\/p>\n<p>Desde maio de 2020, o projeto Cuidando de quem cuida: educa\u00e7\u00e3o continuada e avalia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade de cuidadores de pessoas idosas em tempos de Covid-19 j\u00e1 desenvolveu diversos materiais audiovisuais de acesso aberto sobre o cuidado de pessoas idosas na pandemia, como cartilhas e v\u00eddeos; e realizou um curso remoto de atualiza\u00e7\u00e3o para cuidadores de pessoa idosa na pandemia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de pesquisadores da EPSJV, o projeto conta com profissionais de outras unidades da Fiocruz &#8211; o Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade (Icict) e a Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Sergio Arouca (ENSP) -, al\u00e9m de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Associa\u00e7\u00e3o dos Cuidadores do Estado do Rio de Janeiro (Acierj).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pesquisadores Daniel Groisman, da Escola Polit\u00e9cnica de Sa\u00fade Joaquim Ven\u00e2ncio (EPSJV\/Fiocruz), e Dalia Romero, do Instituto de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade (Icict\/Fiocruz), realizaram um webin\u00e1rio para apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados da Cuida-Covid: Pesquisa nacional sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade das pessoas cuidadoras de idosos na pandemia, no dia 30 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5138,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5137","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5137"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5137\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5139,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5137\/revisions\/5139"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5138"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}