{"id":5102,"date":"2021-10-04T20:50:42","date_gmt":"2021-10-04T23:50:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5102"},"modified":"2021-10-04T20:50:42","modified_gmt":"2021-10-04T23:50:42","slug":"rede-coordenada-pela-fiocruz-avalia-resistencia-a-inseticidas-em-especies-de-barbeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/rede-coordenada-pela-fiocruz-avalia-resistencia-a-inseticidas-em-especies-de-barbeiros\/","title":{"rendered":"Rede coordenada pela Fiocruz avalia resist\u00eancia a inseticidas em esp\u00e9cies de barbeiros"},"content":{"rendered":"<p>O uso de inseticidas \u00e9 uma das principais formas de controlar a prolifera\u00e7\u00e3o dos triatom\u00edneos, insetos transmissores da doen\u00e7a de Chagas, tamb\u00e9m conhecidos como barbeiros. Mas se alguma esp\u00e9cie desenvolve resist\u00eancia aos produtos usados, esse controle pode ficar comprometido. No Brasil, a Rede de Monitoramento de Resist\u00eancia de Triatom\u00edneos a Inseticidas (Remot), coordenada pela Fiocruz, realiza testes laboratoriais visando verificar se insetos capturados nas atividades de Vigil\u00e2ncia dos estados se tornaram resistentes. Recentemente, a Remot concluiu mais uma s\u00e9rie de exames, realizados em barbeiros encontrados em tr\u00eas estados do Brasil: Cear\u00e1, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais.<\/p>\n<p>Os resultados dos testes mostraram que os insetos capturados no Cear\u00e1 e em S\u00e3o Paulo s\u00e3o suscet\u00edveis aos inseticidas, ou seja, morrem quando expostos ao produto. J\u00e1 os que foram coletados em Minas Gerais, mais especificamente no Norte do estado, apresentaram fortes indica\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia durante os exames laboratoriais, com taxas de mortalidade abaixo de 40%. Para confirma\u00e7\u00e3o dessa resist\u00eancia, os pesquisadores far\u00e3o, em breve, uma contraprova, que precisa ser feita no pr\u00f3prio ambiente em que a esp\u00e9cie foi capturada.<\/p>\n<p>\u201cAs infesta\u00e7\u00f5es persistentes de triatom\u00edneos nas unidades domiciliares podem indicar resist\u00eancia ao inseticida. Quando os t\u00e9cnicos respons\u00e1veis pelo controle percebem essa persist\u00eancia, eles realizam uma captura e os enviam ao laborat\u00f3rio, para realizar testes de suscetibilidade. Dessa forma, qualquer resultado, seja de suscetibilidade seja de resist\u00eancia, \u00e9 importante para a Vigil\u00e2ncia da doen\u00e7a de Chagas, pois vai nortear quais provid\u00eancias precisam ser tomadas\u201d, explica a pesquisadora da Fiocruz Minas Lileia Diotaiuti, coordenadora da Remot.<\/p>\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia dos triatom\u00edneos ao inseticida \u00e9 uma quest\u00e3o que envolve medidas complexas, que incluem a substitui\u00e7\u00e3o do produto por outro comprovadamente ativo. J\u00e1 os resultados que comprovam suscetibilidade demonstram a necessidade de se fazer ajustes operacionais nos servi\u00e7os de controle, que se encontram comprometidos por alguma quest\u00e3o pontual. \u201cPode ser um inseticida com prazo de validade vencido, pode ser alguma falha na execu\u00e7\u00e3o da borrifa\u00e7\u00e3o ou tamb\u00e9m uma quest\u00e3o ambiental. O estado do Cear\u00e1, por exemplo, o problema n\u00e3o \u00e9 a resist\u00eancia, mas um hist\u00f3rico de frequente recoloniza\u00e7\u00e3o das casas, a partir de exemplares silvestres\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>Definir as provid\u00eancias a serem tomadas cabe \u00e0s secretarias municipais de sa\u00fade que, juntamente com a coordena\u00e7\u00e3o estadual, fazem uma avalia\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica, a partir dos laudos emitidos pela Remot, e definem a conduta pertinente.<\/p>\n<p>Intitulado Consolida\u00e7\u00e3o e Manuten\u00e7\u00e3o da Rede de Monitoramento da Resist\u00eancia de Triatom\u00edneos a Inseticidas, o projeto que realizou os testes em triatom\u00edneos capturados nos tr\u00eas estados foi desenvolvido com apoio de emenda parlamentar, proveniente do gabinete do deputado federal Vilson da Fetaemg (PSB-MG).<\/p>\n<p>Sobre a Remot<\/p>\n<p>Criada em 2010, a Remot \u00e9 coordenada pelo Laborat\u00f3rio de Refer\u00eancia em Triatom\u00edneos e Epidemiologia da Doen\u00e7a de Chagas da Fiocruz Minas. A rede foi estruturada em parceria com a Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, ap\u00f3s relatos da exist\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es de triatom\u00edneos resistentes a inseticidas na Regi\u00e3o Sul do Brasil, o que n\u00e3o se confirmou posteriormente.<\/p>\n<p>\u201cTais relatos ocorreram em um contexto de desarticula\u00e7\u00e3o do Programa de Controle da Doen\u00e7a de Chagas, especialmente depois que circulou a informa\u00e7\u00e3o equivocada de que n\u00e3o havia mais transmiss\u00e3o vetorial no Brasil. Na verdade, o que houve foi a elimina\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie, o Triatoma infestans, que n\u00e3o \u00e9 brasileiro, mas se adaptou ao ambiente domiciliar e era de extrema import\u00e2ncia, devido a essa adapta\u00e7\u00e3o. A transmiss\u00e3o por essa esp\u00e9cie foi realmente interrompida. Ficaram, entretanto, as outras esp\u00e9cies, que, no Brasil, s\u00e3o mais de 60  j\u00e1 encontradas no ambiente domiciliar\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>O engano, no entanto, impactou nas atividades de controle e, como consequ\u00eancia, a infesta\u00e7\u00e3o por triatom\u00edneos aut\u00f3ctones, com alta capacidade de invas\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o do ambiente domiciliar, tem sido negligenciada. Infesta\u00e7\u00f5es persistentes t\u00eam sido relatadas, mesmo nas \u00e1reas que seguem com a borrifa\u00e7\u00e3o das casas infestadas. Desta forma, a Remot passou a monitorar as esp\u00e9cies de triatom\u00edneos de maior import\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica no pa\u00eds, coletadas em \u00e1reas com indicativos de infesta\u00e7\u00e3o persistente. S\u00e3o elas, especialmente, P. megistus, T. infestans (j\u00e1 eliminado), T. brasiliensis e T. sordida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de caracterizar e monitorar a suscetibilidade\/resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es triatomi\u0301nicas brasileiras aos inseticidas, a Remot desenvolve m\u00e9todos destinados ao diagn\u00f3stico da resist\u00eancia dos insetos aos inseticidas e contribui na avalia\u00e7\u00e3o e melhoria das atividades desenvolvidas junto ao controle qu\u00edmico dos triatomi\u0301neos no pa\u00eds. Essa iniciativa tem reconhecimento internacional, sendo o Latec integrante do Centro Colaborador da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade em Sa\u00fade P\u00fablica e Ambiental da Fiocruz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso de inseticidas \u00e9 uma das principais formas de controlar a prolifera\u00e7\u00e3o dos triatom\u00edneos, insetos transmissores da doen\u00e7a de Chagas, tamb\u00e9m conhecidos como barbeiros. 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