{"id":5029,"date":"2021-09-27T22:32:15","date_gmt":"2021-09-28T01:32:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=5029"},"modified":"2021-09-27T22:32:15","modified_gmt":"2021-09-28T01:32:15","slug":"novo-livro-aborda-de-forma-didatica-e-pioneira-a-inferencia-causal-em-epidemiologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/novo-livro-aborda-de-forma-didatica-e-pioneira-a-inferencia-causal-em-epidemiologia\/","title":{"rendered":"Novo livro aborda, de forma did\u00e1tica e pioneira, a infer\u00eancia causal em epidemiologia"},"content":{"rendered":"<p>Diante dos desafios causados pela emerg\u00eancia da Covid-19, a epidemiologia passou a ser uma \u00e1rea ainda mais em voga frente \u00e0s necessidades de enfrentamento da pandemia. A promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, o controle de doen\u00e7as e seus vetores, o processo sa\u00fade-doen\u00e7a em diferentes contingentes populacionais: tudo isso passou a fazer parte dos debates p\u00fablicos em meio \u00e0 crise global. \u00c9 nesse contexto que a Editora Fiocruz lan\u00e7a Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Infer\u00eancia Causal em Epidemiologia: uma abordagem gr\u00e1fica e contrafatual. Escrito pelo m\u00e9dico epidemiologista Ant\u00f4nio Augusto Moura da Silva, o novo t\u00edtulo estar\u00e1 dispon\u00edvel para aquisi\u00e7\u00e3o a partir de 29 de setembro, exclusivamente em formato impresso \u2013 via Livraria Virtual da Editora.       <\/p>\n<p>Um dos principais objetivos da epidemiologia \u00e9 investigar as causas das doen\u00e7as para que se possa atuar na preven\u00e7\u00e3o. Apesar de ser bastante espec\u00edfico e aparentemente circunscrito a uma comunidade de especialistas em sa\u00fade, o termo infer\u00eancia causal exerce papel fundamental no controle de doen\u00e7as e epidemias com fortes impactos sobre a sociedade de um modo geral. &#8220;Ideias causais s\u00e3o utilizadas na interpreta\u00e7\u00e3o de eventos cotidianos. Estabelecer nexos causais \u00e9 objeto central da epidemiologia, inscrito em sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o. Inferir causalidade \u00e9 essencial para fundamentar a recomenda\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es populacionais para a preven\u00e7\u00e3o e controle de doen\u00e7as&#8221;, explica Guilherme Werneck, professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS\/Uerj), que assina a orelha do livro.    <\/p>\n<p>Segundo o autor da obra, a investiga\u00e7\u00e3o sobre causalidade em epidemiologia vem se modificando ao longo do tempo: &#8220;Desde os trabalhos pioneiros de John Snow sobre a c\u00f3lera em Londres, do estudo de coorte de Framingham [cidade norte-americana] sobre as causas das doen\u00e7as cardiovasculares at\u00e9 as conclus\u00f5es de [Richard] Doll e [Austin Bradford] Hill de que o fumo \u00e9 uma das causas de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o&#8221;, afirma.    <\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o da obra, Silva relata que a ideia do livro nasceu no \u00e2mbito da disciplina de Infer\u00eancia Causal, ministrada no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (PGSC\/UFMA) e no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Epidemiologia da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Sergio Arouca (Ensp\/Fiocruz). Segundo o professor, ele percebeu, ao ministrar a mat\u00e9ria, a dificuldade de alguns alunos em acessar e compreender a literatura cient\u00edfica a respeito do tema. A partir disso, a obra foi constru\u00edda, de forma did\u00e1tica, com o objetivo de explicar os principais conceitos e aplic\u00e1-los em exemplos concretos de pesquisa, sem perder de vista a abrang\u00eancia de uma \u00e1rea em constante desenvolvimento. &#8220;Este material \u00e9 dirigido \u00e0queles que iniciam a compreens\u00e3o da literatura sobre infer\u00eancia causal, numa perspectiva gr\u00e1fica e contrafatual&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Para a professora e pesquisadora Maya Petersen, presidente da Divis\u00e3o de Bioestat\u00edstica da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley (EUA), a obra preenche uma lacuna na literatura da \u00e1rea e representa um acr\u00e9scimo para aqueles que buscam uma introdu\u00e7\u00e3o acess\u00edvel a conceitos-chave e ferramentas pr\u00e1ticas para entender e aplicar abordagens modernas \u00e0 infer\u00eancia causal. Segundo ela, que assina o pref\u00e1cio do livro, os profissionais n\u00e3o podem se ater a interpreta\u00e7\u00f5es puramente estat\u00edsticas. &#8220;A epidemiologia tem uma longa e orgulhosa hist\u00f3ria de reconhecimento da causalidade como n\u00facleo de nossa disciplina. Se realmente desejamos compreender os determinantes da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, como epidemiologistas, devemos fazer perguntas causais&#8221;, enfatiza Petersen. <\/p>\n<p>Os leitores de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Infer\u00eancia Causal em Epidemiologia ser\u00e3o apresentados a uma obra did\u00e1tica e pr\u00e1tica sobre abordagens ainda pouco utilizadas no Brasil para a investiga\u00e7\u00e3o de causalidade em epidemiologia. &#8220;O modelo de respostas potenciais de [Donald B.] Rubin, baseado na abordagem contrafatual, e os pressupostos para infer\u00eancia causal s\u00e3o descritos na primeira parte do livro. Na segunda parte, a abordagem gr\u00e1fica \u00e9 ensinada no contexto dos DAGs, gr\u00e1ficos ac\u00edclicos direcionados. Defini\u00e7\u00f5es estruturais ou gr\u00e1ficas dos vieses de confundimento e colis\u00e3o s\u00e3o apresentadas&#8221;, explica Silva.  <\/p>\n<p>Estruturado em tr\u00eas partes, que contemplam 15 cap\u00edtulos, o volume apresenta ainda alguns dos m\u00e9todos mais utilizados para estima\u00e7\u00e3o do efeito causal usando a abordagem contrafatual, al\u00e9m de cap\u00edtulo sobre an\u00e1lise de sensibilidade para se verificar at\u00e9 que ponto confundimento por vari\u00e1vel emitida pode modificar as conclus\u00f5es do estudo. &#8220;Neste livro, os leitores encontrar\u00e3o uma revis\u00e3o abrangente de distintos temas caros \u00e0 infer\u00eancia causal: o modelo de respostas potenciais para estimativas de efeitos causais; gr\u00e1ficos ac\u00edclicos direcionados, enfatizando a abordagem da situa\u00e7\u00e3o de confus\u00e3o e vi\u00e9s de colis\u00e3o; estimativas de efeito causal via escore de propens\u00e3o; computa\u00e7\u00e3o G e an\u00e1lise de sensibilidade. Toda a formaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 esmiu\u00e7ada mediante problemas concretos de pesquisa&#8221;, resume Guilherme Werneck. <\/p>\n<p>Livro j\u00e1 nasce como refer\u00eancia para a \u00e1rea<br \/>\nProfessores e pesquisadores que conhecem a extensa trajet\u00f3ria acad\u00eamica de Ant\u00f4nio Augusto Moura da Silva ressaltam, em textos complementares do livro, como a obra n\u00e3o apenas preenche espa\u00e7os pouco explorados na literatura de epidemiologia, mas tamb\u00e9m j\u00e1 nasce como refer\u00eancia para estudantes e pesquisadores da \u00e1rea. &#8220;Profissionais e estudiosos de epidemiologia, bioestat\u00edstica e outras disciplinas que trabalham com infer\u00eancia causal, em todos os n\u00edveis, ter\u00e3o neste livro uma refer\u00eancia essencial&#8221;, afirma, no texto de quarta capa, Maria Am\u00e9lia Veras, professora e coordenadora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Coletiva da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo. Para Guilherme Werneck, o livro representa uma grande contribui\u00e7\u00e3o para que a epidemiologia brasileira reencontre o seu futuro, &#8220;qualificando a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre os determinantes da sa\u00fade em popula\u00e7\u00f5es&#8221;.  <\/p>\n<p>J\u00e1 o autor lembra que o t\u00edtulo pode despertar o interesse n\u00e3o s\u00f3 de epidemiologistas, mas tamb\u00e9m de alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias da sa\u00fade e demais profissionais envolvidos com a investiga\u00e7\u00e3o das causas das doen\u00e7as. De acordo com Maya Petersen, o lan\u00e7amento da obra ocorre em momento crucial, em que a pandemia continua assustando as pessoas e explicitando desigualdades. &#8220;O mundo de hoje precisa de ci\u00eancia. Precisa de epidemiologia. Precisa de um racioc\u00ednio baseado em evid\u00eancias. Este \u00e9 um livro para epidemiologistas, mas tamb\u00e9m para todos aqueles que desejam usar os dados complexos e confusos da realidade para entender o mundo em que vivemos e trabalhar para torn\u00e1-lo melhor&#8221;, finaliza a professora. <\/p>\n<p>Sobre o autor<br \/>\nMestre e doutor em Medicina Preventiva pela Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), com p\u00f3s-doutorado na Universidade de Oxford (Inglaterra), Ant\u00f4nio Augusto Moura da Silva \u00e9 professor de epidemiologia do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (PGSC\/UFMA). Pesquisador n\u00edvel 1-A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), Silva \u00e9 tamb\u00e9m editor-chefe da revista Ci\u00eancia &#038; Sa\u00fade Coletiva, publica\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante dos desafios causados pela emerg\u00eancia da Covid-19, a epidemiologia passou a ser uma \u00e1rea ainda mais em voga frente \u00e0s necessidades de enfrentamento da pandemia. A promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, o controle de doen\u00e7as e seus vetores, o processo sa\u00fade-doen\u00e7a em diferentes contingentes populacionais: tudo isso passou a fazer parte dos debates p\u00fablicos em meio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5030,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5029","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5029"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5029\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5031,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5029\/revisions\/5031"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5030"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}