{"id":4948,"date":"2021-09-21T17:15:35","date_gmt":"2021-09-21T20:15:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=4948"},"modified":"2021-09-21T17:15:35","modified_gmt":"2021-09-21T20:15:35","slug":"fiocruz-cria-teste-molecular-para-hanseniase-inedito-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/fiocruz-cria-teste-molecular-para-hanseniase-inedito-no-brasil\/","title":{"rendered":"Fiocruz cria teste molecular para hansen\u00edase in\u00e9dito no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Um novo teste de diagn\u00f3stico desenvolvido por pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) pode contribuir para o enfrentamento da hansen\u00edase. Baseado na metodologia de PCR, o Kit NAT Hansen\u00edase obteve registro na Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). O exame detecta o DNA do bacilo Mycobacterium leprae, causador do agravo, e pode facilitar a detec\u00e7\u00e3o precoce da doen\u00e7a, que atinge, em m\u00e9dia, 27 mil pessoas por ano no Brasil.<br \/>\nCria\u00e7\u00e3o nacional: ap\u00f3s d\u00e9cadas de pesquisas pela Fiocruz, o Brasil ganha o primeiro teste molecular do pa\u00eds para diagn\u00f3stico da hansen\u00edase (foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o foi desenvolvida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) em parceria com o Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paran\u00e1) e o Instituto de Biologia Molecular do Paran\u00e1 (IBMP), ligado \u00e0 Fiocruz e ao governo paranaense. Os pesquisadores ressaltam a import\u00e2ncia da aplica\u00e7\u00e3o de uma metodologia de ponta contra uma doen\u00e7a negligenciada.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o havia testes diagn\u00f3sticos de hansen\u00edase considerados padr\u00e3o-ouro. \u00c9 um marco colocar este exame \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, que s\u00e3o as que mais desenvolvem a doen\u00e7a e carecem de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos\u201d, afirma o l\u00edder do projeto e chefe do Laborat\u00f3rio de Hansen\u00edase do IOC, Milton Oz\u00f3rio Moraes.<\/p>\n<p>\u201cDoen\u00e7as tropicais negligenciadas, que s\u00e3o importantes no nosso pa\u00eds, n\u00e3o atraem o interesse da ind\u00fastria. Com o Kit NAT Hansen\u00edase, temos um teste nacional, com qualidade de primeiro mundo, que pode contribuir para a sa\u00fade da nossa popula\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta o pesquisador da Fiocruz-PR, Alexandre Costa, que coordenou o desenvolvimento do exame no IBMP.<\/p>\n<p>O Kit NAT Hansen\u00edase \u00e9 primeiro teste molecular comercial para a doen\u00e7a desenvolvido no Brasil e o segundo exame deste tipo a obter o registro da Anvisa. Ao longo de anos de pesquisas, o projeto contou com investimentos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), da Funda\u00e7\u00e3o Novartis e da Leprosy Research Initiative (iniciativa internacional de apoio \u00e0 pesquisa em hansen\u00edase), al\u00e9m de recursos pr\u00f3prios da Fiocruz e do IBMP.<\/p>\n<p>Problema de sa\u00fade p\u00fablica<\/p>\n<p>Uma das doen\u00e7as mais antigas da humanidade, com relatos de casos desde 600 a.C., a hansen\u00edase \u00e9 um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, especialmente no Brasil. O pa\u00eds registra o segundo maior n\u00famero de casos do mundo. Al\u00e9m disso, entre as pessoas acometidas anualmente, mais de duas mil s\u00e3o diagnosticadas de forma tardia, com les\u00f5es neurol\u00f3gicas que provocam deformidades vis\u00edveis e prejudicam a vis\u00e3o ou o movimento das m\u00e3os ou dos p\u00e9s.<\/p>\n<p>A bact\u00e9ria da hansen\u00edase atinge principalmente a pele e os nervos. Entre os sintomas mais comuns da doen\u00e7a est\u00e3o manchas na pele, que podem ter altera\u00e7\u00e3o de sensibilidade ao frio, calor ou dor. Mesmo sem manchas, \u00e1reas da pele com altera\u00e7\u00e3o de sensibilidade, diminui\u00e7\u00e3o de pelos e do suor tamb\u00e9m podem ser sinal do agravo, assim como o aparecimento de caro\u00e7os no corpo, sensa\u00e7\u00e3o de formigamento ou fisgadas e comprometimento neurol\u00f3gico, incluindo altera\u00e7\u00f5es sensitivas, motoras ou anat\u00f4micas.<\/p>\n<p>Cerca de 70% das pessoas com hansen\u00edase s\u00e3o diagnosticadas na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, pelo cl\u00ednico geral, sem necessidade de exames complementares. Quando h\u00e1 d\u00favidas, os pacientes s\u00e3o encaminhados para atendimento especializado com o dermatologista. Por\u00e9m, existem casos em que mesmo o especialista tem dificuldade de confirmar o diagn\u00f3stico. Nestas situa\u00e7\u00f5es, o m\u00e9dico pode solicitar a bi\u00f3psia, que \u00e9 a retirada de fragmentos de pele para an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Segundo Milton, \u00e9 justamente nestes casos que o Kit NAT Hansen\u00edase pode ser um aliado valioso. Os exames atualmente dispon\u00edveis s\u00e3o a baciloscopia, que busca visualizar a bact\u00e9ria, e a histopatologia, que analisa as altera\u00e7\u00f5es do tecido. Em rela\u00e7\u00e3o a estas t\u00e9cnicas, o teste molecular apresenta uma vantagem importante: o aumento da sensibilidade.<\/p>\n<p>\u201cA baciloscopia costuma ser negativa nos pacientes que apresentam poucas les\u00f5es na pele. Nestes casos, chamados de paucibacilares, observamos que a sensibilidade da histopatologia \u00e9 de 35%, enquanto o teste de PCR alcan\u00e7a 57%. Isso significa que, de cada cem pacientes com hansen\u00edase paucibacilar, a histopatologia consegue identificar 35 e a PCR, 57. A combina\u00e7\u00e3o dos dois testes pode elevar a sensibilidade para 65%. \u00c9 um ganho importante\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Pioneirismo para o SUS<\/p>\n<p>O desenvolvimento do Kit NAT Hansen\u00edase \u00e9 resultado de d\u00e9cadas de pesquisas pioneiras com o objetivo de contribuir para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Centro de refer\u00eancia nacional junto ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Laborat\u00f3rio de Hansen\u00edase do IOC atua na pesquisa, no ensino e no atendimento a pacientes, que \u00e9 realizado por meio do Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Metodologia que permite amplificar e detectar o material gen\u00e9tico, a rea\u00e7\u00e3o em cadeia da polimerase, conhecida pela sigla em ingl\u00eas PCR, foi inventada em 1985. Em 1993, o Laborat\u00f3rio de Hansen\u00edase foi o primeiro do Brasil a aplicar a t\u00e9cnica para a detec\u00e7\u00e3o do M. leprae.<\/p>\n<p>Posteriormente, os pesquisadores aprimoraram a metodologia com base na t\u00e9cnica de PCR em tempo real, que simplificou e barateou o procedimento. Estudos realizados por diversos pesquisadores e estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do IOC foram fundamentais para o sucesso do projeto.<\/p>\n<p>A \u00faltima etapa de trabalho consistiu na padroniza\u00e7\u00e3o da metodologia, com estudos de reprodutibilidade e estabilidade, que s\u00e3o essenciais para o registro na Anvisa. O desenvolvimento foi realizado em parceria com o IBMP, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de kits utilizados para o diagn\u00f3stico molecular de diversas doen\u00e7as no SUS, como HIV, hepatites, dengue, zika e chikungunya.<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o com boas pr\u00e1ticas de fabrica\u00e7\u00e3o, com controle de qualidade lote a lote, garante o desempenho do exame em diferentes laborat\u00f3rios\u201d, ressalta Alexandre.<\/p>\n<p>O registro na Anvisa permite a comercializa\u00e7\u00e3o do teste e \u00e9 uma exig\u00eancia para que o exame possa ser oferecido no SUS. A ado\u00e7\u00e3o da metodologia depende da avalia\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (Conitec), que envia a recomenda\u00e7\u00e3o ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, respons\u00e1vel pela decis\u00e3o final. \u201cSe o kit for aprovado, temos capacidade de produ\u00e7\u00e3o em larga escala para atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, destaca Milton.<\/p>\n<p>Panorama da doen\u00e7a<\/p>\n<p>No Brasil, a hansen\u00edase ocorre em todos os estados, com maior parte dos registros no Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Assim como outras doen\u00e7as negligenciadas, a infec\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada \u00e0 pobreza. Pessoas com condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o prec\u00e1rias t\u00eam mais chance de adoecer por hansen\u00edase. A dificuldade de acesso das popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis aos servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e9 um dos desafios para o diagn\u00f3stico precoce do agravo.<\/p>\n<p>Em 2020, a pandemia de Covid-19 dificultou ainda mais as a\u00e7\u00f5es de controle da doen\u00e7a. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os n\u00fameros preliminares indicam que menos de 14 mil casos foram diagnosticados no ano passado, contra mais de 27 mil em 2019. Especialistas consideram que a redu\u00e7\u00e3o pode ter ocorrido pela sobrecarga dos servi\u00e7os de sa\u00fade e pelo medo dos pacientes de procurar atendimento.<\/p>\n<p>O tratamento da hansen\u00edase \u00e9 oferecido gratuitamente pelo SUS. Feito com uma combina\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos, tem dura\u00e7\u00e3o entre seis e 12 meses. Recentemente, a efic\u00e1cia da terapia foi confirmada em uma pesquisa realizada no Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo. Logo ap\u00f3s o come\u00e7o do tratamento, os pacientes param de eliminar as bact\u00e9rias em secre\u00e7\u00f5es nasais, got\u00edculas da fala, tosse, espirro, interrompendo a transmiss\u00e3o do agravo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo teste de diagn\u00f3stico desenvolvido por pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) pode contribuir para o enfrentamento da hansen\u00edase. Baseado na metodologia de PCR, o Kit NAT Hansen\u00edase obteve registro na Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). 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