{"id":4445,"date":"2021-07-25T17:55:23","date_gmt":"2021-07-25T20:55:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/?p=4445"},"modified":"2021-07-25T17:55:23","modified_gmt":"2021-07-25T20:55:23","slug":"fotos-da-familia-musica-e-afeto-hospital-humaniza-internacao-de-pacientes-com-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sodf.org.br\/wordpress\/fotos-da-familia-musica-e-afeto-hospital-humaniza-internacao-de-pacientes-com-covid\/","title":{"rendered":"Fotos da fam\u00edlia, m\u00fasica e afeto. Hospital humaniza interna\u00e7\u00e3o de pacientes com Covid"},"content":{"rendered":"<p>Ao atravessar as portas do Hospital de Campanha do Aut\u00f3dromo, o vigilante Daniel Gon\u00e7alves, 54 anos, abra\u00e7a sua esposa pela primeira vez em sete dias. A m\u00fasica, escolhida por ele, reflete o estado de alegria e gratid\u00e3o em que o vigilante se encontra: \u201cTe agrade\u00e7o\u201d, m\u00fasica da banda Diante do Trono, marca a sa\u00edda de Daniel ap\u00f3s uma semana de interna\u00e7\u00e3o. Em uma das m\u00e3os ele leva um certificado da vit\u00f3ria com os dizeres \u201cEu venci a Covid\u201d. Na outra, um bal\u00e3o com seu nome gravado.<br \/>\n\u201cDeus, atrav\u00e9s de voc\u00eas, me devolveu a vida novamente\u201d, diz Daniel \u00e0 equipe do hospital. \u201cSempre que eu ficar de joelhos para orar e falar com Deus eu vou rezar por voc\u00eas\u201d.<\/p>\n<p>Foram dias de conviv\u00eancia na ala dos pacientes menos graves do Hospital de Campanha do Aut\u00f3dromo. Em cada unidade \u2013 com salas separadas de acordo com a gravidade dos casos \u2013 h\u00e1 2o leitos, contando tamb\u00e9m com a presen\u00e7a de equipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o: laborat\u00f3rios, respiradores, di\u00e1lises, tom\u00f3grafos e aparelhos de radiografia novos est\u00e3o por todo o hospital. Mesmo com tanta tecnologia e recursos, \u00e9 no tratamento humanizado que se encontra o maior diferencial do centro m\u00e9dico. Cartazes com os hobbies de cada paciente, mensagens positivas, dieta humanizada e desenhos para colorir s\u00e3o algumas das estrat\u00e9gias adotadas para facilitar contato mais \u00edntimo entre paciente e equipe. Outro fator de destaque s\u00e3o as visitas no alambrado, onde as fam\u00edlias podem encontrar, com distanciamento, os entes queridos que se encontram internados.<\/p>\n<p>\u201cMuita gente acha que UTI e intuba\u00e7\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de fim de linha. Temos nos esfor\u00e7ado bastante para dar uma leveza a esse cen\u00e1rio catastr\u00f3fico. A gente tenta minimizar, pois vivemos tempos de guerra\u201d, diz Eliane Abreu, diretora de assist\u00eancia. \u201cNessa nova onda vemos pessoas cada vez mais jovens. Antes eram idosos e pessoas com  comorbidades. Agora, n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O time completo \u00e9 composto por profissionais de psicologia, servi\u00e7o social, enfermagem, nutri\u00e7\u00e3o, odontologia e terapia ocupacional. \u201cA equipe tamb\u00e9m se identifica com o paciente. J\u00e1 \u00e9 a quarta onda da Covid-19, o que torna preciso minimizar tamb\u00e9m o dano psicol\u00f3gico e o desgaste para os profissionais\u201d, destaca Eliane. \u201cO tratamento humanizado ajuda a n\u00e3o perder o v\u00ednculo. Isso diminui o trauma, pois a fam\u00edlia adoece junto\u201d. A ideia de personalizar o atendimento partiu da terapeuta ocupacional Bruna Nascimento.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o m\u00ednimo que podemos fazer por eles\u201d, enfatiza. Bruna elaborou cartazes para que aqueles impedidos de falar possam indicar com o dedo sobre como est\u00e3o se sentindo e o que gostariam de fazer, por exemplo.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou devido \u00e0 ins\u00f4nia \u2013 com o barulho dos aparelhos nos quartos e as luzes ligadas, dormir torna-se dif\u00edcil. Foi, ent\u00e3o, que Bruna criou um \u201ckit sono\u201d para cada paciente, com tapa-olho personalizado.<br \/>\nA partir da\u00ed, vieram outras iniciativas. Os pacientes recebem as not\u00edcias impressas diariamente em folhas, desenhos para colorir e ca\u00e7a-palavras. As refei\u00e7\u00f5es muitas vezes v\u00eam com recadinhos de melhoras escritos pelos pr\u00f3prios familiares.<br \/>\nMuitos pacientes apresentam fraqueza na musculatura ap\u00f3s sair da intuba\u00e7\u00e3o, o que torna tarefas aparentemente simples, como segurar um garfo ou faca, dif\u00edceis de serem executadas. Ao perceber que v\u00e1rios tinham vergonha de comer devido \u00e0 fraqueza, Bruna elaborou um suporte personalizado em cada talher para facilitar o processo. Do lado de fora os pacientes interagem por meio de conversas e jogos. \u00c9 comum ver uma dupla ou um grupo se divertindo ao jogar domin\u00f3 ou dama.<br \/>\n\u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o nova para todos\u201d, salienta Ludmilla Ferreira, gerente multidisciplinar. \u201c\u00c9 um cap\u00edtulo que estamos escrevendo na hist\u00f3ria. Cada cap\u00edtulo \u00e9 uma novidade. A extuba\u00e7\u00e3o, por exemplo, \u00e9 uma vit\u00f3ria: temos um potinho onde cada pessoa que melhorou pode colocar um peda\u00e7o cortado do tubo com o nome escrito\u201d.<br \/>\nAqueles que est\u00e3o inconscientes tamb\u00e9m recebem afetividade: mesmo sedados, os pacientes t\u00eam as fotos de suas fam\u00edlias pregadas na parede e um prontu\u00e1rio afetivo.<br \/>\n\u201c\u00c9 uma equipe completa com trabalho diferenciado, quase que inacredit\u00e1vel para uma unidade tempor\u00e1ria. Atende todas as necessidades dos pacientes e das equipes como se fosse um hospital convencional\u201d, pontua Eliane Abreu.<br \/>\nEsperan\u00e7a<br \/>\n\u201cTenha sempre como objetivo um foco em sua vida, pois, sem foco, n\u00e3o se chega a lugar algum. Deus aben\u00e7oe voc\u00ea e sua fam\u00edlia\u201d. Todos os dias, o porteiro Braulio Alves, de 42 anos, entrega uma frase de esperan\u00e7a a seus colegas de ala internados no hospital.\u201cSair daqui \u00e9 uma vit\u00f3ria. A gente passa a dar valor para muita coisa. Quando eu sair, quero dar meu testemunho, passar a mensagem para todos que est\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o. Sei que podemos ajudar algu\u00e9m assim\u201d, diz o porteiro, internado desde o dia 5.<\/p>\n<p>Braulio tinha o costume de escrever e enviar frases a todos seus contatos de WhatsApp, antes mesmo de contrair o v\u00edrus. No hospital, come\u00e7ou a sentir falta da pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cFoi quando a Bruna teve a ideia de escrever para o pessoal daqui. Me ajudou muito. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \u00c0s vezes, a ang\u00fastia vem, a gente fica de cabe\u00e7a baixa. Mas um ambiente acolhedor como esse d\u00e1 for\u00e7as para lutar\u201d, destaca Braulio.<\/p>\n<p>Ele conta que contraiu Covid-19 apesar de todos os cuidados que tomava. Por isso, ele n\u00e3o acreditava que pudesse ser mais uma v\u00edtima.<\/p>\n<p>\u201cMuita gente acha que \u00e9 brincadeira. N\u00e3o brinque, porque essa doen\u00e7a \u00e9 s\u00e9ria. Eu tamb\u00e9m achava que n\u00e3o ia pegar, e eu me cuidava e usava m\u00e1scara\u201d, alerta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao atravessar as portas do Hospital de Campanha do Aut\u00f3dromo, o vigilante Daniel Gon\u00e7alves, 54 anos, abra\u00e7a sua esposa pela primeira vez em sete dias. 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