O Sindicato dos Odontologistas do Distrito Federal (SODF) participou, na manhã desta terça-feira (11), da reunião do Conselho de Saúde do DF, que debateu o fechamento do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).
Durante o encontro, o presidente do SODF, Wendel Teixeira, destacou que o sindicato foi informado inicialmente de que o local passaria por reforma, mas posteriormente recebeu a notícia de que o CEO seria transferido para a estação do metrô.
“O sindicato será sempre contra o fechamento de locais de saúde. Nossa luta é pela ampliação do atendimento: queremos manter o CEO do HRAN e também abrir outro na estação do metrô, ampliando a cobertura de saúde bucal do DF”, afirmou.
A gerente de Odontologia da Secretaria de Saúde, Daniela Gonçalves, explicou que a mudança permitirá ampliar o atendimento. “Com a abertura do CEO na estação do metrô, aumentaremos o número de cadeiras e de profissionais, além de ampliar o atendimento. O HRAN continuará com consultórios voltados ao tratamento de fissuras labiopalatinas, conforme determina a lei vigente desde maio”, informou.
História do CEO do HRAN
Durante a reunião, o cirurgião-dentista Diogenes Seguti Ferreira relembrou a trajetória histórica do serviço odontológico do HRAN, criado em 1973 pelo Dr. José Corrêa Chaves. Movido pelo amor à filha, Maria de Cidália (Cida), que nasceu com Síndrome de Down, o Dr. Chaves fundou um dos primeiros serviços públicos do país voltados ao atendimento odontológico de pacientes com necessidades especiais.
O atendimento, pioneiro e humanizado, tornou-se referência nacional, oferecendo cuidados multidisciplinares e capacitando profissionais para lidar com pacientes com deficiências físicas, intelectuais e condições médicas complexas. Até hoje, o setor representa um marco de inclusão e justiça social no SUS, símbolo do legado de um pai que transformou o amor em política pública de saúde.
A cirurgiã-dentista Érica Mauriem também reforçou a importância de manter o serviço no hospital. “O HRAN é referência em atendimento. Tirar o CEO de lá é desvalorizar décadas de trabalho. O fechamento trará prejuízo tanto aos servidores quanto aos usuários, que terão de se deslocar para outros locais. Além disso, a presença dentro do hospital facilita o uso do centro cirúrgico para casos específicos da odontologia”, afirmou.
Grupo de Trabalho
Após as discussões, ficou decidido que será criado um Grupo de Trabalho para aprofundar o debate sobre o fechamento do CEO do HRAN. O grupo será composto por profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS, com o objetivo de buscar soluções que garantam a continuidade e o fortalecimento do serviço.
Posição do Sindicato
O SODF reforça que sua luta é pela ampliação e não pela substituição dos serviços odontológicos. O sindicato defende a manutenção do CEO do HRAN e a abertura de uma nova unidade na estação do metrô, garantindo assim a ampliação da cobertura de saúde bucal no Distrito Federal.
“O sindicato será sempre a favor da ampliação do serviço e contrário ao fechamento de espaços que têm história e importância para a saúde pública”, concluiu Wendel Teixeira.



