Pesquisador que desenvolveu vacina Oxford/Astrazeneca ganha homenagem

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A Fiocruz recebeu em 26 de abril a visita do diretor do Jenner Institute, da Universidade de Oxford, Adrian Hill. Foi-lhe entregue, no âmbito do Conselho Deliberativo da Fundação, uma placa em agradecimento a ele e sua equipe da universidade pelo desenvolvimento da vacina Oxford/Astrazeneca, hoje produzida de forma 100% nacional no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), após transferência tecnológica. Em seguida, o pesquisador visitou a planta produtiva da vacina Covid-19 no Centro Henrique Penna e o Centro de Processamento Final.
Hill foi recebido pessoalmente pelo vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas, Rodrigo Correa, pelo diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, pelo assessor científico sênior de Bio-Manguinhos, Akira Homma, pela gerente do Programa de Vacinas Virais de Bio-Manguinhos, Elena Caride, e pelo diretor do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz), Cristoph Milewski. Ele foi acompanhado pelo pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Leonardo Carvalho, um dos organizadores da XVI Reunião Nacional de Pesquisa em Malária (RNPM), que ocorreu esta semana no Rio de Janeiro e da qual Adrian Hill participou como palestrante.
Boas-vindas do Conselho Deliberativo
O vice-presidente Rodrigo Correa agradeceu pelo trabalho dedicado de Hill e sua equipe no desenvolvimento da vacina, assim como à presença dos membros do Conselho Deliberativo. “A Fiocruz considera o que foi um feito de grande importância pra todos nós e a sua presença mostra a relevância desse trabalho conjunto entre Oxford, Fiocruz e Bio-Manginhos”. Correa projetou parcerias futuras: “a pesquisa em desenvolvimento de vacinas pode contar com o grande número de pesquisadores da Fiocruz altamente qualificados. Há oportunidades para ambas as instituições no que diz respeito à prevenção e tratamento de diferentes doenças. Temos muito o que trocar e aprender juntos”, garantiu.
Adrian Hill disse que era um prazer estar na Fiocruz e ressaltou a parceria. “Precisamos de pessoas para codesenvolver vacinas e outros produtos, e o resultado é bom para todo mundo”. Ele destacou a atuação do Brasil na pandemia, por ter sido um dos países em que os ensaios clínicos se realizaram com muita rapidez, com muitos voluntários. “Aprendemos muito também com a rapidez da produção de vacinas aqui em Bio-Manguinhos”, acrescentou. “Precisamos pensar também na resposta a possíveis novas emergências, em novos modelos e designs para o desenvolvimento de vacinas”. Nesse sentido, seriam fundamentais parceiros com grande capacidade de produção, para preencher as lacunas na atuação das empresas farmacêuticas, nem sempre interessadas na pesquisa e produção de produtos para certas doenças, notadamente, as negligenciadas.
O diretor do Instituto, Maurício Zuma, valorizou o processo de transferência tecnológica entre Fiocruz, Oxford e Astrazeneca. “Graças a ela, pudemos produzir e entregar mais de 166 milhões de doses de março de 2021 a março de 2022. Um parceria realmente importante para nossa sociedade. Estamos abertos a discutir futuras colaborações”, disse. Além da capacidade de produção de Bio-Manginhos, Zuma valorizou a expertise da unidade no aprimoramento de vacinas e na absorção de tecnologia de grandes farmacêuticas.
Os mais recentes avanços na pesquisa em vacinas suscitaram o interesse do assessor científico sênior de Bio-Manguinhos, Akira Homma. Após lembar que Bio-Manguinhos aprimorou a vacina de febre amarela, o especialista em vacinas apontou como desafio a combinação de diferentes imunizantes em uma mesma aplicação. “Há muitas vacinas no calendario vacinal, é difícil fazer as pessoas tomarem tantas”, explicou Homma. “No futuro, é preciso combinar para haver menos intervenções, aplicações. E a plataforma de adenovírus poderá ajudar a atingir esse objetivo”, disse.
Ao fim do encontro, Hill uniu-se ao tom otimista do professor Homma. “É um momento animador para a pesquisa em vacinas, com muitos progressos sendo feitos de forma acelerada, um rejuvenescimento da pesquisa”. E celebrou o reconhecimento que a própria ciência vem adquirindo na sociedade. “A ciência passa a ser cada vez mais apreciada. Lembro-me de uma camiseta em que estava escrito: ‘Esquece princesa, quero ser cientista!’”.