Nomeação de Nísia na Saúde é “excelente”, diz diretor da OMS

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Tedros Adhanom Ghebreyesus (foto), diretor-geral do OMS, afirma que a organização irá trobolhor com Lufa

 

O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom,
elogiou a escolha de Nísia Trindade para o Ministério da Saúde e afirmou que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (P T) está “comprometido” a saúde no
Brasil.

A declaração foi feita nesta 4a feira (4.jan.2023) durante entrevista a
jornalistas na sede da OMS. Enquanto falava sobre questões globais de
saúde, Adhanom foi questionado sobre a escolha da ministra e as
expectativas sobre o novo governo.

“A nomeação para o Ministério da Saúde é excelente”, disse o diretor-geral. “O presidente
Lula está muito comprometido com a saúde em seu país […]. Estamos empenhados em
trabalhar com ele”.
Nísia foi empossada na última 23 feira (2.jan) e será a 1a mulher a assumir o comando do
ministério.
Ao assumir a pasta, a ministra disse que sua gestão à frente do Ministério da Saúde será
pautada pela ciência e pelo diálogo com a comunidade da científica.
Nísia também afirmou que deseja superar legado do governo anterior. Para ela, foi um
“período de obscurantismo, de negação da ciência e da cultura, que destruiu valores
emancipatórios”.

A ministra também falou que o SUS (Sistema Único de Saúde) não tem atualmente os
recursos necessários para cumprir o seu papel.

QUEM É NíSlA TRINDADE
Nísia é doutora em sociologia e presidia a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Ganhou
notoriedade durante a pandemia.

Quando estava na Fiocruz, a nova ministra coordenou o acordo com a Universidade de
Oxford para a produção no Brasil da vacina desenvolvida pela universidade junto com a
farmacêutica AstraZeneca. Também criou o Observatório Covid-19 para monitorar os
dados epidemiológicos da doença.

Nísia Verônica Trindade Lima tem 64 anos. E natural do Rio de Janeiro. Formou-se em
sociologia pela Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), em 1980.

E mestre em ciência política pelo antigo luperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio
de Janeiro), atual lesp (Instituto de Estudos Sociais e Políticos), e doutora em sociologia
pela mesma instituição. Recebeu o título de melhor tese de 1998 do luperj pelo trabalho
“Um Sertão Chamado Brasil”.

Comandou a COC/Fiocruz (Casa de Oswaldo Cruz) de 1998 a 2005. Coordenou a Editora
Fiocruz entre 2006 e 2011, sendo responsável pela rede SciELO Livros e pela expansão do
acesso a publicações científicas da instituição.

Deu aula no programa de pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da Fiocruz e
do Programa de Pós-Graduação em Sociologia do lesp.

Assumiu a presidência da Fiocruz em 2017 no lugar do médico Paulo Gadelha. Foi a 1a
mulher na história a presidir a fundação. Está no 2 mandato.

Sob seu comando, a Fiocruz negociou o acordo para fabricar a vacina da
Oxford/AstraZeneca e criou o Observatório Covid-19 – rede de pesquisas, monitoramento
e divulgação de informações sobre a circulação e os impactos sociais do novo coronavírus
no Brasil.

A instituição, porém, teve dificuldades para entregar os imunizantes nos prazos e fez
revisões no calendário. Em maio de 2021, a Fiocruz culpou questões burocráticas e
diplomáticas pelo atraso de lotes dos insumos importados da China.

Em setembro de 2021, a Fiocruz passou duas semanas sem conseguir entregar doses da
vacina para o Ministério da Saúde. Só em fevereiro deste ano que a fundação passou a ter
a tecnologia de produção dos insumos. O Brasil se tornou, então, autossuficiente na
fabricação de vacinas contra a covid.