O Sindicato dos Odontologistas do Distrito Federal (SODF) manifesta repúdio à possibilidade de fechamento do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), que está parado para reforma desde fevereiro deste ano.
Atualmente, dez cirurgiões-dentistas e nove técnicos em saúde bucal que atuavam no local foram realocados para outras unidades da região central do DF. Segundo informações levantadas pelo SODF, há uma proposta para transferir o atendimento odontológico para consultórios instalados em estações do metrô — uma medida que, na prática, representa o desmonte de um serviço público essencial e consolidado.
De acordo com Ester Pereira de Sousa, mãe do paciente, Daniel Felipe de Sousa, cadeirante e com paralisia cerebral, a mudança prejudica diretamente quem mais precisa.
“Sempre levei meu filho para tratamento dentário no HRAN. Moro em Planaltina e pego um único ônibus. Depois do fechamento, preciso sair mais cedo, pegar mais uma condução, com um cadeirante, para chegar ao novo local. O serviço deveria ser ampliado, e não transferido, dificultando a vida de quem já dependia do atendimento no HRAN.”, conta a usuária.
O CEO do HRAN, que funcionava de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, é o único centro de especialidades odontológicas da Asa Norte. O SODF ressalta que o espaço possui estrutura adequada e condições para retomar imediatamente os atendimentos — podendo, inclusive, ampliar os serviços oferecidos à população.
“O que defendemos é a ampliação da rede, não o fechamento de unidades. Que se criem novos pontos de atendimento — inclusive nas estações do metrô —, mas sem extinguir um serviço já existente e fundamental para a comunidade”, afirma o presidente do SODF, Wendel Teixeira.
O sindicato lembra ainda que há cadeiras odontológicas novas adquiridas pela Secretaria de Saúde, além de equipamentos retirados do CEO que seguem em perfeito estado de uso. Com o concurso público vigente e profissionais aguardando convocação, é plenamente possível recompor as equipes e fortalecer a rede pública de saúde bucal.
“Um centro de especialidades a mais é essencial para melhorar a situação da odontologia no DF, que hoje possui a menor cobertura do país. Fechar o CEO do HRAN seria um retrocesso inaceitável”, alerta Wendel.
O SODF reforça que manter o CEO do HRAN em funcionamento é uma questão de prioridade e respeito à população, especialmente às pessoas com deficiência e aos pacientes que dependem do SUS para receber tratamento odontológico especializado.
Fechar o CEO do HRAN é penalizar quem mais precisa. O SODF não aceitará retrocessos na saúde bucal pública do Distrito Federal.



