Variante Delta confirmada no DF é a mais agressiva das cepas da Covid-19

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A confirmação de seis casos da variante Delta da Covid-19 pelo Laboratório Central da Secretaria de Saúde do DF, anunciada em coletiva de imprensa no dia (21), é motivo de preocupação, pois se trata de uma mutação do vírus com alto poder de transmissão e de agressividade.

Os países com resultados mais favoráveis no manejo da pandemia lançaram mão de conjuntos ampliados de estratégias sociais, econômicas e de saúde, incluindo incentivos econômicos dos mais diversos, medidas de restrição de atividades, com sua normatização ajustada às condições epidemiológicas e fundamentadas na ciência, mantendo ampla testagem e principalmente investindo em vacinação de maneira célere e massiva.

No Brasil, desde o início da pandemia, seguimos com uma estratégia de enfrentamento à Covid-19 repleta de equívocos, desde a descontinuidade do auxílio emergencial, passando pelas ações descoordenadas do Ministério da Saúde, que não conseguiu implementar, de forma bem sucedida, uma vigilância epidemiológica ativa. Sem testagem em larga escala, sem amplo rastreio de contatos e sem conseguir mitigar a cadeia de transmissão do vírus, culminando com a demora na aquisição de vacinas que tanto atrasou o início e o avanço da vacinação, em um país que já foi referência mundial na área. O resultado é mais de meio milhão de vítimas em nossa maior tragédia humanitária.

Aqui no DF, com o avanço da vacinação, ainda que em ritmo lento, especialmente nas faixas etárias maiores, já são observados impactos significativos, observando-se nas últimas semanas a manutenção da queda das médias móveis de óbitos e de novos casos, além de taxas de ocupação de leitos de UTI em patamares abaixo de 80%. Contudo, nas faixas etárias mais jovens, começamos a observar o aumento de casos e até mesmo de óbitos.

Este cenário mais estável, embora não definitivo, foi a justificativa para liberação de um conjunto de atividades. Algumas, extremamente questionáveis, como sediar jogos da Copa América de futebol, ocasião na qual a delegação venezuelana, já em sua chegada, teve 13 membros testando positivo para Covid-19 e mais recentemente a realização de jogo da Copa Libertadores da América, com público.

Algumas decisões do GDF parecem não reconhecer que permanecemos em pandemia e ainda em um cenário de muita incerteza.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a variante Delta é a mais agressiva do vírus, até aqui, e projeta que seja a dominante em todo mundo dentro de alguns meses, preocupando a comunidade internacional e exigindo que, mesmo diante do avanço da imunização, alguns países revejam suas estratégias. “O mundo está experimentando, em tempo real, como o vírus continua mudando e se tornando mais contagioso”, disse O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.

Diante deste risco, a Fiocruz é taxativa ao reafirmar a necessidade de rever o abandono das medidas de isolamento social. “Vemos a necessidade de reavaliação das flexibilizações já implementadas nos estados com sinal de retomada do crescimento ou estabilização ainda em patamares elevados (…) Como sabemos que nem todas as unidades da Federação estão conseguindo manter a testagem do painel de vírus respiratórios para todos os casos negativos para Sars-CoV-2, é importante esse alerta para todo o país”.

Com o surto do Hospital de Apoio já consideramos a transmissão comunitária da variante Delta no DF. O que piora o quadro é o baixo o percentual da população completamente imunizada, correspondente a 20% do público alvo e 15% da população, aproximadamente.

Portanto, não nos iludamos. As alterações na estrutura viral também impactam na redução da eficácia das vacinas existentes. A pandemia permanece e com a triste marca de 551.906 mil vítimas no Brasil e 9.567 no DF. A vacina, que tanto tem evitado mortes, é ciência; e é preciso seguir a ciência, sobretudo nas decisões políticas. Esse é o caminho que efetivamente salvará vidas.