Cinco variantes da Covid circulam no DF, apontam dados da Fiocruz De acordo com estatísticas disponibilizadas, as linhagens da China, RJ, Reino Unido e outras estão na capital MANOELA ALCÂNTARA

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Cinco linhagens diferentes do coronavírus circulam no Distrito Federal. De acordo com a tabela de dados da Fiocruz chamada Demonstrativo de Linhagens e Genomas Sars-CoV-2, as variantes B, B.1.1.314, B.1.1.33, B.1.1.7, P.2 foram encontradas a partir de amostras enviadas à instituição.

Rede Genômica da Fiocruz contém dados baseados em estudos de pesquisadores que analisam genética e genoma de diferentes organismos. Esse banco internacional aberto, chamado de GSAID aponta que circulam no DF as variantes do coronavírus oriundas de mutações que surgiram no Reino Unido (B.1.1.7) e no Rio de Janeiro (P2).

A B.1.1.33 é a linhagem mais comum, que circula em território nacional desde março e a B.1.1.314 é uma variante dela. A variante B, como denomina a Fiocruz é a original, vinda da China.

Veja tabela: 

DF tem cinco variantes da Covid

Mutação

A infectologista Ana Helena Germoglio, do Hospital de Águas Claras, explica que o genoma é o material genético do vírus. A Fiocruz analisa-os a fim de encontrar as mutações. Por isso, na tabela há a análise de 11 genomas, porém, 5 linhagens, que são as variações da doença.

A especialista ressalta que “o vírus é composto de um material genético, que é o responsável por suas características e sua reprodução. No caso do SARS-COV 2, um RNA. Esse RNA é formado por milhares de aminoácidos em sequência”, diz.

Para a multiplicação do vírus, ele precisa reproduzir esses aminoácidos. Nesse processo de reprodução, pode acontecer de algum aminoácido ser “copiado” de forma errada. “Essa cópia errada é a mutação. Essa mutação pode ser benéfica para o vírus, tornando ele mais infectante, ou pode ser negativa, deixando ele mais vulnerável”, conclui.

Na última semana, dois casos de pacientes infectados com a variante britânica foram confirmados pela Secretaria de Saúde de Goiás no Entorno do DF, em Luziânia e Valparaíso de Goiás.

Na capital federal, a Secretaria de Saúde do DF confirmou apenas que investiga detecção da variante britânica da Covid-19 em um paciente que seria do Piauí e teria endereço no DF.  No entanto, em seu site de notícias, onde divulga informações oficiais, afirmou que aguarda o envio oficial das informações por parte da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pasta não tratou ainda das outras variantes.

Variante que preocupa

Com uma mutação específica na proteína Spike, usada pelo coronavírus para invadir as células humanas e se reproduzir, a variante britânica é uma das mais preocupantes do mundo.

Segundo os estudos publicados até o momento, ela é mais transmissível e pode ser responsável por um maior número de internações, pressionando ainda mais o sistema de saúde.

Ainda não há informações confirmadas sobre a mortalidade associada à infecção com a B.1.1.7, mas pesquisas preliminares apontam que ela pode ser até 35% mais letal do que outras cepas.